quarta-feira, 6 de outubro de 2010

HISTORIA DO DIA DA CRIANÇA NO BRASIL










A história do Dia das Crianças



......O Dia das Crianças no Brasil foi criado por um político, na década de 1920. O Deputado Federal Galdino do Valle Filho teve a idéia de criar um dia em homenagem às crianças. Os deputados aprovaram a idéia e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, através do Decreto nº4.867, de 5 de novembro de 1924.

......Mas, somente em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela decidiu fazer uma promoção em conjunto com a Johnson & Johnson, para aumentar suas vendas, lançando a "Semana do Bebê Robusto", é que a data passou a ser comemorada.

......A estratégia deu tão certo, que desde então o dia das Crianças passou a ser comemorado com muitos presentes!

......Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança para aumentar as vendas.

......No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto. Só a partir dai o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos.



Dia Universal da Criança

......Muitos países comemoram o dia das Crianças em 20 de novembro, data que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece como dia Universal das Crianças por ser quando se comemora a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças.




Declaração Universal dos Direitos das Crianças

UNICEF

20 de Novembro de 1959







As Crianças têm Direitos


Direito à Igualdade, sem Distinção de Raça Religião ou Nacionalidade


 
Princípio I

......A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer exceção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição econômica, nascimento ou outra condição, seja inerente à própria criança ou à sua família.


Direito a Especial Proteção para o seu Desenvolvimento Físico, Mental e Social



Princípio II

......A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.


 
Direito a um Nome e a uma Nacionalidade



Princípio III

......A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.



Direito à Alimentação, Moradia e Assistência Médica Adequadas para a Criança e a Mãe



Princípio IV

......A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, quanto à sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.


Direito à Educação e a Cuidados Especiais para a Criança Física ou Mentalmente Deficiente



Princípio V

......A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre da algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.


Direito ao Amor e à Compreensão por Parte dos Pais e da Sociedade


Princípio VI

......A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas terão a obrigação de cuidar especialmente do menor abandonado ou daqueles que careçam de meios adequados de subsistência. Convém que se concedam subsídios governamentais, ou de outra espécie, para a manutenção dos filhos de famílias numerosas.


Direito à Educação Gratuita e ao Lazer Infantil


Princípio VII

......A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita - em condições de igualdade de oportunidades - desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.

......O interesse superior da criança deverá ser o interesse diretor daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação; tal responsabilidade incumbe, em primeira instância, a seus pais.

......A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.


Direito a ser Socorrido em Primeiro Lugar, em Caso de Catástrofes



Princípio VIII

......A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber proteção e auxílio.


Direito a ser Protegido Contra o Abandono e a Exploração no Trabalho


Princípio IX

......A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objeto de nenhum tipo de tráfico. Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral.


Direito a Crescer Dentro de um Espírito de Solidariedade, Compreensão, Amizade e Justiça entre os Povos



Princípio X

......A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.














segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ELEIÇÕES 2010

NOSSA MÃE!!! 24 MILHÕES DE ABSTENÇÕES!!!
 " BRASIL MOSTRA TUA CARA, QUERO VER QUEM PAGA, PRA GENTE FICAR ASSIM...BRASIL, QUAL É O TEU NEGÓCIO, O NOME DO TEU SÓCIO, CONFIA EM MIM..."
(CAZUZA)

e AINDA TEREMOS SEGUNDO TURNO!!!


Maioria das latas de alimentos e bebidas contém bisfenol A

 Ter, 21/Set/2010 15:42 Saúde, alimentação e qualidade de vida .Químico associado a câncer e diabetes infantil é encontrado também em embalagens plásticas e mamadeiras


O uso de bisfenol A e suas conseqüências à saúde é associada a contaminação dos alimentos e bebidas provenientes de embalagens plásticas.
A presença do químico em latas é pouco divulgada, mas um estudo do National Work Group for Safe Markets, organização de grupos ligados à saúde e ao meio ambiente, detectou BPA em 46 alimentos das 50 latas pesquisadas – isso corresponde a 92% das amostras.
As embalagens foram recolhidas de despensas pessoais e de supermercados. Foram selecionados produtos como peixes, frutas, vegetais, feijão, sopas, tomates e molhos de tomate, refrigerantes e leite. A dupla amostragem ajuda a investigar a correlação entre a quantidade do componente encontrada em alimentos enlatados e o tempo de prateleira do produto.
As latas fechadas foram enviadas para a Anresco, um laboratório inde pendente em São Francisco. Para determinar a concentração de BPA, os alimentos foram homogeneizados e testados. As latas não foram consideradas.
 
O bisfenol A é um composto químico e seu uso foi associado a uma maior incidência de problemas cardíacos, diabetes, anormalidades no fígado e também problemas cerebrais e no desenvolvimento hormonal em crianças e recém-nascidos.
Alguns estudos também provam que o bisfenol é responsável pelo crescimento de células cancerígenas, diminuição de esperma e micropenia.
Atualmente, o bisfenol A é proibido em quatro países: França, Canadá, Costa Rica e Dinamarca.
Nos Estados Unidos, pelo menos sete estados também já proibiram a fabricação de mamadeiras com o policarbonato.
No Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todas as determinações de produtos devem ser adotadas pelo Mercosul e, portanto, precisam ser aceitas dentro do bloco econômico antes de serem incorporadas na legislação de cada país.
Na pesquisa em latas, o nível mais alto encontrado em uma lata de vagem - 1.140 partes por bilhão (PPB). Em média os produtos apresentaram 77,36 ppb de bisphenol-A.
Não foi encontrada uma correlação entre a idade do produto, o local de origem - se veio da despensa ou da loja- e o montante de BPA encontrado.

A exposição ao produto é especialmente preocupante para mulheres grávidas, bebês e crianças.
Se uma gestante com cerca de 20 anos, de físico mediano (71 Kg) ingerir apenas os alimentos selecionados na pesquisa vai facilmente elevar sua taxa de bisfenol-A a um nível similar aos que causaram problemas de saúde nos animais em laboratório.
Para isso basta, por exemplo, que ela coma enlatados de manhã ou à tarde e simplesmente tome um refrigerante e coma ervilhas no jantar. Assim estará consumindo 138.19 µg, ou 1.95 µg/kg peso corpóreo de BPA.
A pesquisa aponta, ainda, que a quantidade de BPA em enlatados não pode ser presumida considerando o preço, a qualidade, o valor nutricional ou o local de compra dos produtos.
Duas latas produzidas em semanas distintas podem apresentar uma diferença significativa no nível de BPA (1.140 ppb em uma e 296,2 em outra) como demonstraram as amostras.
Segundo uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention) praticamente toda a população da América do Norte possui BPA em seu organismo.
Mas alternativas já começaram a aparecer. Pesquisadores já identificaram vários substitutos para o produto que deverá ser usado em revestimentos interno das latas.
Também existem outras embalagens sem bisfenol A, como vidro e a cerâmica, além de uns poucos plásticos não tóxicos. Essas substituições mais seguras ajudariam a quebrar o ciclo de contaminação química e a enorme quantidade de problemas de saúde associadas à exposição crônica e diária ao componente.



Fabiana Dupont e Fernanda Medeiros

Fonte GreenBiz.com

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Rio-São Paulo do Samba Cem Anos de Noel e Adoniran - Dia 05 de outubro de 2010 - às 20h - no teatro Vitória - Limeira.

O Teatro Vitória recebe no dia 05 o espetáculo "Rio-São Paulo do Samba", em homenagem ao centenário de nascimento de dois gigantes da nossa música - Adoniran Barbosa e Noel Rosa. O espetáculo reúne Música, poesia e artes plásticas.
No mesmo palco, o "Quarteto Cunhatã" (Emanuel Massaro - Violão e voz, Débora Vidoretti - Voz, Ricardo Sartori - Pandeiro e Rui Kleiner - Bandolim e violino), executando grandes sucessos desses dois gênios; o poeta limeirense Otacílio Cesar Monteiro, declamando textos exclusivamente selecionados para o espetáculo e o artista plástico José Claro, que retrata os compositores a carvão e coloca os quadros à venda ao final da apresentação.

A estréia aconteceu no Senac, dia 20 de agosto, para 120 pessoas e, devido ao sucesso, o grupo foi incentivado a fazer nova apresentação. “Já temos contatos para novos shows na região”, conta Emanuel Massaro, um dos mentores do projeto.


O show será em prol à "Casa da vovó" - uma entidade sem fins lucrativos criada em 2004, e que atualmente abriga doze idosas/hóspedes, as quais necessitam de acompanhamento permanente devido a problemas de saúde e sequelas de doenças.


Dia 05 de outubro de 2010 - às 20h - no teatro Vitória - Limeira.




Ingressos à venda na entidade "Casa da vovó", no Teatro Vitória, e com
Emanuel Massaro, Otacílio Monteiro e José Claro.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PARA RIR BASTANTE - E IMPULSIONAR O RESTANTE DA SEMANA!

DIA DE MERDA


O que é um peido para quem está todo cagado?

A expressão do título é conhecida de todos, mas o texto que a originou é menos. É um texto de Luis Fernando Veríssimo incluído na obra Veríssima que ele fez numa viagem para Miami.
Só o li recentemente e transcrevo abaixo. Quem não conhece, leia. Vale a pena....
'Aeroporto Santos Dumont , 15:30..
Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse.
Mas,atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.'Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30'.
Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.
Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei:
'Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.'
'Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda.'
O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista.
'Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo'. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro.
O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada , mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado. Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor.
Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada.
Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal.
Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério:

'Cara, caguei!'
Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle.
'Que se dane, me limpo no aeroporto', pensei.
'Pior que isso não fico'.
Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte.
Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés.
E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado....
Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.
Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco.
Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?'
Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.
Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o 'check-in' e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. 'Ele tinha despachado a mala com roupas'.
Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'.
A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus.
Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis.. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história.
As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda . Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de1 a 10.

Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e

mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.



Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão

de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola 'V', sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde.



Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria.



A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo.



Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:



'Nada, obrigado.'



Eu só queria esquecer este dia de merda. Um dia de merda...



* Luis Fernando Veríssimo*

COLABORAÇÃO MY DEAR FRIEND MAURO SEABRA

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O BARÃO DE ITARARÉ - ARTE



O BARÃO DE ITARARÉ

Barão de Itararé - (Apparício Torelly)

"Al Barón de Itararé

un grande entre los grandes,

con respeto le saluda de pie

el poeta de los Andes:

 
Neruda.


(Pablo Neruda, 1945)

Nome:


Apparício Fernando


de Brinkerhoff Torelly






Nascimento:
29/01/1895
Natural: Rio Grande do Sul
Morte:  27/11/1971










Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé, nasceu na cidade de Rio Grande, no interior do Estado do Rio Grande do Sul, um local próximo à fronteira com o Uruguai, no dia 29 de janeiro de 1895.



Em 1906 matricula-se, como interno, no Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo-RS, onde faz o seu primeiro jornal manuscrito, intitulado "Capim Seco", com tiragem de um exemplar, em 1909.



Deixa o colégio após cursar o 5º. ano ginasial, em 1911. Anos depois, por pressão familiar, matricula-se na Faculdade de Medicina de Porto Alegre-RS.



"Pontas de Cigarros", "versos diversos" e "poemas bem humorados", o primeiro e único livro com seu nome verdadeiro, é publicado em 1916.



Em 1918, durante suas férias, sofre um derrame quando andava a cavalo na fazenda de um tio. Face ao problema surgido, abandona a Faculdade no 4º. ano e inicia viagens pelo interior do estado, fazendo conferências sobre diversos assuntos. Publica sonetos e artigos em jornais e revistas, como: "Kodak", "A Máscara" e "Maneca". A partir de então, dedica-se exclusivamente ao jornalismo. Nessa mesma época funda "A Noite e a Reação", "A Tradição" e " O Chico", seu primeiro jornal de humor. Casa-se com Alzira Alves, com quem tem três filhos: Ady, Ary e Arly.



Já separado, em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro. Começa a trabalhar no jornal "O Globo" como articulista, tendo como padrinho Irineu Marinho, Diretor-proprietário daquele matutino. Com sua morte, naquele mesmo ano, Aparício Torelly desliga-se do jornal e, a convite de Mário Rodrigues (pai de Nelson Rodrigues), ex-secretário do Correio da Manhã, começa a escrever uma coluna na primeira página da que, no futuro, seria "A Manhã". Com ele vai Andres Guevara, ilustrador, que conhecera há pouco.



No dia 2 de janeiro de 1926 estréia n'"A Manhã" com a coluna intitulada "A manhã tem mais...", assinada sob o pseudônimo de Apporelly. Diante da boa receptividade que obteve, o humorista é levado a criar outra coluna, também na primeira página.



Aproveitando-se da data, em 13 de maio de 1926 abandona o emprego e funda seu próprio jornal, "A Manha", um tablóide de circulação nacional. O jornal é um sucesso completo, superando as fórmulas já velhas conhecidas dos leitores, como "O Malho", "Fon-Fon" e "Careta".



Historia contada sobre o autor: Corria o ano de 1928. Em Porto Alegre, uma conferência sobre pesquisa para descobrir a causa da aftosa (doença que ataca o gado) mobilizava um público atento. Getúlio Vargas, então deputado no Distrito Federal (Rio de Janeiro), estava presente. O conferencista, dono de argumentação técnica consistente, impressionava. No encerramento, disse:



— É imperioso que desenvolvamos esse tipo de pesquisa, para benefício do Brasil, pois que uma vacina eficaz contra a aftosa tem grande significado econômico.



Criado o clima de gran finale, aumentou a voltagem atmosférica, ao desafiar, subitamente:



— Afinal de contas, quem é que somos nós? Repito: quem é que somos nós?



Ato contínuo, frente a uma platéia literalmente hipnotizada, o conferencista começou a dançar e a cantar o conhecido hino: "Nós somos da pátria amada, fiéis soldados...". E dançando e cantando saiu da sala.



Em 1929 "A Manha" circula como encarte semanal do jornal "O Diário da Noite", por quatro meses. O jornal, do conhecido Assis Chateaubriand, na primeira semana dobra a tiragem, vendendo 15.000 exemplares, até atingir a marca de 125.000 exemplares na data da publicação do programa da Aliança Liberal.



Sempre irreverente, em 1930, com a revolução, o autor proclama-se Duque de Itararé, herói da batalha que não houve. Semanas depois, rebaixa-se a Barão como prova de modéstia. No dia 02 de setembro de 1932 é preso pela 4º. delegacia auxiliar (responsável pela ordem política e social), após "delirante atividade revolucionária" mantida nas páginas d' "A Manha" e constantes estocadas contra o governo instalado pela revolução.



O ano de 1934 marca a abertura do "Jornal do Povo", em outubro, em companhia de Aníbal Machado, Pedro Mota Lima e Osvaldo Costa. Nos dez dias em durou, o jornal publica em fascículos a história de João Cândido, um dos marinheiros da revolta de 1910. O Barão é seqüestrado e espancado por oficiais da marinha nunca identificados. Depois do atentado retorna à redação e afixa uma placa na porta: "Entre sem bater".



Preso, novamente, em 09 de dezembro de 1935, por ser militante e um dos fundadores da Aliança Nacional Libertadora, permanece "em cana" durante todo o ano de 1936, primeiro a bordo do navio presídio D. Pedro I, depois na Casa de Detenção do Rio de Janeiro; juntamente com Hermes Lima, Eneida de Morais, Nise da Silveira e Graciliano Ramos. Dona Zoraide, sua segunda mulher, falece nesse ano.



Este último, em "Memórias do Cárcere", referiu-se por diversas vezes ao Barão, tendo dito: "... Ao fundo, Apporelly arrumava cartas sobre uma pequena mesa redonda, entranhado numa infinita paciência. Avizinhei-me dele, pedi notícias do livro que me anunciara antes: a biografia do Barão de Itararé. Como ia esse ilustre fidalgo? A narrativa ainda não começara, as glórias do senhor barão conservavam-se espalhadas no jornal. Ficariam assim, com certeza: o panegirista não se decidia a pôr em ordem os feitos do notável personagem."



Mas suas citações sobre o Barão em seu famoso livro desagradaram a amigos do enfocado, como se pode perceber nas declaração de Carminda de Azevedo Mendes Steed, amiga de Apparício: "...E quem leu "Memórias do Cárcere" e quem conheceu o Apporelly, fica com uma bruta duma raiva do seu Autor, o insigne, amargo, festejado, realista, seco como o sertão -- ah, um cactos o cáustico Graciliano, quando relata o dia a dia de seus companheiros presos e onde focaliza um Apporelly piadista, loquaz e festeiro, durante o dia sempre tentando levantar o moral de todo o mundo e um pobre desvalido, acometido de tremuras e suadeiras à noite como que atrapalhando, incomodando o repouso de seus companheiros. Um covarde travestido de bufo? Não seria isso mesmo que a gente lê nas entrelinhas?".



E concluía: "...Sabia lá Graciliano se essas noites nos dormitórios extensos de altas paredes e silêncios seculares onde o interno de São Leopoldo, nas mãos daqueles Mestres (que Ele, convenhamos, amava) alemães e jesuítas, como se não bastasse serem só alemães ou só jesuítas, aquele menino carente e vulnerável, órfão de mãe e premiado por um pai truculento e lacônico, ou seriam essas noites no Pedro I não o reflexo de sua infância já tão antiga, mas, a realidade do aqui e agora da infância e adolescência de seus filhos -- sem mãe também e jogados às traças por um amigo desleal a quem Apporelly os confiou."



Solto em 21 de dezembro de 1936, com outros 100 presos, reabre "A Manha", que só consegue funcionar por um ano, sob severa censura do DIP. Casa-se, pela terceira vez, com D. Juracy, que lhe dá mais um filho, Amy Torelly.



Janeiro de 1938 marca sua volta ao "Diário de Notícias", do Rio de Janeiro, e da coluna "A manhã tem mais...", onde colabora por quase seis anos.



No dia 27 de janeiro de 1939 é preso novamente por três dias. O fato se repetirá diversas vezes até o fim do Estado Novo.



D. Juracy, sua esposa, falece em 1940, ao dar à luz àquele que seria seu segundo filho com ela. A criança também falece. Apporelly retira-se para uma chácara em Bangu, no Rio, cedida pelo industrial Guilherme da Silveira Filho, e ali instala um laboratório onde desenvolve pesquisas sobre a vacina contra a febre aftosa, baseado em teorias de Pasteur.



Sua filha Ady morre em 1943, vítima de complicações pós-operatórias provocadas pela extração do apêndice.



Homenageado com um jantar na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por amigos e jornalistas, em 1944, pelos seus 25 anos de jornalismo, no ano seguinte o Barão encabeça, no ano seguinte, um abaixo-assinado por liberdades democráticas. Ressurge "A Manha" com enorme sucesso, superando o que havia feito nas décadas de 20 e 30, contando com a colaboração de renomados escritores, tais como: José Lins do Rego, Sérgio Milliet, Rubem Braga, Raimundo Magalhães Jr. e Álvaro Lins. Arnon de Melo assume a área comercial do jornal e incentiva o aparecimento da figura do Barão como garoto-propaganda. Participa ativamente da campanha de Yedo Fiuza, candidato oficial do Partido Comunista Brasileiro (PCB) à presidência da República.



Candidata-se à Câmara do Distrito Federal pelo PCB e, provando sua popularidade, é o oitavo mais votado de sua bancada, a qual obtém maioria na Câmara de Vereadores. O slogan da campanha foi: "Mais leite, mais água, mas menos água no leite — Vote no Barão de Itararé, Apparício Torelly." A convite de Luiz Carlos Prestes, passa a colaborar com a "Folha do Povo". Faziam parte da equipe Carlos Drummond de Andrade, Di Cavalcanti, Jorge Amado e o jovem Sérgio Porto (posteriormente conhecido como Stanislaw Ponte Preta). No final do ano o registro do PCB é cassado e seus representantes eleitos perdem seus mandatos.



Fortuna, um dos melhores humoristas que este país já teve, disse: "...Se, primeiro por inexistência e depois por criancice, não o alcancei nos anos 30, nem por isso ele deixou de me alcançar através d' "A Manha" de 46, "o único quintaferino que sai às sextas". Ele podia achar o máximo essa autogozação, mas em São Luís do Maranhão eu tinha que reciclá-la para "o único quintaferino que chega dois meses depois". Parece que devido a gastos de guerra estava em vigor o racionamento de troco. "A Manha" custava um passe de bonde. Eu ia para o colégio a pé, rindo. Sou-lhe grato por ter amenizado as ladeiras que por sua causa tive que subir."



Em virtude de problemas financeiros, "A Manha" deixa de circular, em 1948.



O Barão associa-se a Guevara e lança o primeiro "Almanhaque" ou "Almanaque d'"A Manha" em São Paulo (1949).



Com o sucesso do lançamento, anima-se o Barão e, em 1950 "A Manha" volta a circular, editada em São Paulo, onde o humorista passa a viver por algum tempo, ou seja, até setembro de 1952, quando o jornal deixa de circular, definitivamente.



Em 1955 lança dois "Almanhaques", no 1º. e 2º. semestres. Colabora com o jornal "Última Hora". Velho e cansado, fixa-se novamente no Rio e casa-se, pela quarta e última vez com Aida Costa, que teve fim trágico anos depois.



Viaja pela China, em 1963, a convite do governo de Pequim, com passagem por Praga e Moscou. Nos anos seguintes (1964/1970), dedica-se a seus "horóscopos biônicos" e "quadrados mágicos". Passa a maior parte do tempo estudando e vive só em um pequeno apartamento em Laranjeiras, bairro do Rio de Janeiro.



Carminda diz mais: "...Esclerose — só é! Sentenciavam alguns sectários, donos da verdade. Pureza, alma sensível, gentil. Caráter impoluto. Teve dignidade por toda sua vida — respeito por todo mundo e por todas coisas. E teve dignidade ao morrer. Morreu sozinho para não sofrerem por ele enquanto estava morrendo."



No dia 27 de novembro de 1971, falece aos 76 anos de idade, Apparício Torelly.



Livros Publicados:



Do Autor:

- Pontas de Cigarros, Apparício Torelly, Rio de Janeiro - 1925

- "O Globo" - Rio de Janeiro - 1925 - artigos

- "A Manhã" - Rio de Janeiro - 1926 - artigos

- "A Manha" - Rio de Janeiro - 1926-1952 - artigos

- "Jornal do Povo" - Rio de Janeiro - 1934 - artigos

- "Avante", "Homem Livre", "O Povo" - RJ - Década de 30 - artigos

- "Diário de Notícias" - Rio de Janeiro - 1938-1942 - artigos

- "Almanhaque" - São Paulo - 1949 - 1º. semestre

- "Almanhaque" - São Paulo - 1955 - 1º. semestre

- "Almanhaque" - São Paulo - 1955 - 2º. semestre

- "Última Hora" - São Paulo - 1955-1959 - artigos esparsos

- "Almanhaque" - Agência Studioma Editora - São Paulo - 1989 (reedição de 1955)


Sobre o Autor:

- "Apporely Cientista", in Revista Diretrizes, 06/03/1941 - Otávio Malta

- "O único Barão da República", in Realidade, janeiro/1970 - Fortuna

- "Barão de Itararé" - Leandro Konder, Edit. Brasiliense - São Paulo/1983

- "O Barão de Itararé" - Ernani Só, Porto Alegre/1984

- "Máximas e Mínimas do Barão de Itararé" - Afonso Felix de Souza (org) - Editora Record - Rio de Janeiro/1986

- "As duas vidas de Apparício Torelly", Cláudio Figueiredo, Editora Record - Rio de Janeiro/1987

Homenagens:
Há duas escolas com o nome "Barão de Itararé" no Rio de Janeiro: uma em Marechal Hermes e outra em Santa Cruz. Em Japeri, Baixada Fluminense, o CIEP 402 leva o nome de Apparício Torelly.

Fontes: Livros do e sobre o autor, sites da Internet.







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