quinta-feira, 15 de maio de 2014

Boas Práticas de Sociologia: Alunos da 3ª Série do Pozzi Em Pesquisa na Biblioteca da Escola buscando as origens do sindicalismo na história

Alunos Oliver, Jaqueline e Malcon discutem como quando e onde se deram as circunstancias que originaram o surgimento do movimento sindical, um dos assuntos das aulas de Sociologia deste bimestre

Prof. Claudio orientando o trabalho de pesquisa da 3ª Série


Alunos dispostos nas mesas da sala de leitura da biblioteca do Pozzi



PCA de Humanas Profª Cleusa acompanhando o trabalho
dos alunos supervisionados pelo prof. Claudio

Aluna Dandara tirando dúvidas com seu professor






O espaço físico da biblioteca além de diversificar a prática de sala de aula possibilita a interação de grupos de trabalho diferentes daqueles que se formam viciosamente no ambiente tradicional de sua sala.

Possuir ou Partilhar? por Martin Denoun e Geoffroy Valadon*

Sociedade
14/5/2014 - 10h54

Possuir ou Partilhar?



por Martin Denoun e Geoffroy Valadon*

compartilhamento Possuir ou Partilhar?
Possuir ou Partilhar? | Envolverde

Espalham-se pelo mundo serviços de compartilhamento de casas, quartos, carros, outros objetos. Novo modelo de negócio? Ou sinais de pós-capitalismo?
“Na casa de cada um de nós existe um problema ambiental com potencial econômico. Temos vários objetos que não utilizamos: uma furadeira dormindo no armário que não será usada por mais de 13 minutos, em média, durante toda a vida; um DVD já sem uso ocupando espaço, a câmera que atrai mais poeira que luz, mas também o carro que usamos solitariamente menos de uma hora por dia ou o apartamento vazio durante todo o verão. A lista é longa. E representa uma quantidade impressionante de dinheiro, assim como de lixo futuro.”
Este é, essencialmente, o argumento de teóricos do consumo colaborativo. Pois, como sustenta com um grande sorriso Rachel Botsman (1), uma de suas lideranças, “você precisa do buraco, não da broca; da projeção, não do DVD; da viagem, não do carro!”…
Jeremy Rifkin foi quem diagnosticou a transição de uma era da propriedade para uma “era do acesso” (2), na qual a dimensão simbólica dos objetos diminui em benefício de sua dimensão funcional: um carro costumava ser elemento de status que justificava sua compra para além do uso, enquanto agora os consumidores começam a alugar o seu veículo.
Hoje, os jovens propõem alugar seus próprios carros ou casas. Se isso causa desespero a muitos empresários de transportes ou hotelaria, outros veem com esperança esse desapego com relação aos objetos de consumo. Plataformas de troca possibilitam uma melhor alocação de recursos; elas atomizam a oferta, eliminam intermediários e facilitam a reciclagem. Ao fazer isso, corroem monopólios, provocam redução de preços e trazem novos recursos aos consumidores. Estes serão levados a comprar bens de qualidade, mais duráveis, incentivando a indústria a abandonar a obsolescência programada. Seduzido por menores preços e pela conveniência dessas relações pessoa-a-pessoa (P2P, peer to peer), eles contribuem para a redução de resíduos. A imprensa internacional, do New York Times ao Le Monde, passando pelo Economist, já fala em “revolução do consumo.”
Um passe de mágica
Os partidários do consumo colaborativo estão frequentemente entre os desiludidos com o “desenvolvimento sustentável”. Contudo, embora reprovem a superficialidade deste conceito, não costumam criticá-lo mais acidamente. Citando especialmente Rifkin, nunca evocam a ecologia política. Mencionam de bom grado Mohandas Gandhi: “Há atualmente na Terra recursos suficientes para atender às necessidades de todos, mas eles não serão jamais suficientes para satisfazer os desejos de posse de alguns (3).” Isso não os impede de manifestar uma espécie de desdém com relação aos adeptos do decrescimento e ativistas ambientais em geral, percebidos como utopistas marginais e sobrepolitizados.
“Foi em 2008 que batemos contra a parede. Juntos, a Mãe Natureza e o mercado disseram ‘basta’. Bem sabemos que uma economia baseada no hiperconsumo é um esquema Ponzi (4), um castelo de cartas”, argumentou Botsman numa conferência TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) (5).
De acordo com ela a crise, ao fazer com que as pessoas se esforçassem para sobreviver, teria causado uma explosão de criatividade e confiança mútua que supostamente detonou o fenômeno do consumo colaborativo (6).
Mais e mais sites propõem a troca ou aluguel de bens “adormecidos” e caros: máquina de lavar roupa, roupas de marca, objetos high-tech, equipamento de camping, mas também meios de transporte (carro, moto, barco) ou espaços físicos (adega, estacionamento, sala etc). O movimento chega a ser quase uma poupança: ao invés de deixá-la inerte numa conta, as pessoas a compartilham, escapando dos bancos (7).
Na área de transportes, o uso compartilhado de automóveis consiste em dividir o custo de um trajeto; uma espécie de carona organizada e contributiva, que permite, por exemplo, viajar de Lyon a Paris por 30 euros, contra 60 euros da passagem de trem, e conhecer pessoas novas durante o trajeto. Diversos sites que propõem esse serviço surgiram na França nos anos 2000. Isso levou à evolução típica das startups da internet: uma luta para estabelecer-se como referência de gratuidade, para, uma vez alcançada essa posição, impor aos usuários uma comissão de 12% “para maior segurança”. O número um francês, Covoiturage.fr, transformou-se em BlaBlaCar para embarcar na conquista do mercado europeu, e seu equivalente alemão, Carpooling, chegou à França. Enquanto os co-usuários habituais, enfurecidos pelo escorregão mercantil do site francês, lançaram a plataforma colaborativa e gratuita Covoiturage-libre.fr [algo como "Coautomóvel-livre"].
A partilha de carros reflete também um avanço cultural e ecológico. Plataformas como Drivy possibilitam a locação de veículos entre indivíduos, muito embora os atores dominantes do mercado sejam ainda empresas flexibilizadas (aluguel por minuto e self-service), que têm sua própria frota. A redução anunciada no número de veículos é relativa, portanto. Mesmo a frota Autolib’, criada pela prefeitura de Paris com o grupo Bolloré e inspirada no Vélib‘ [para compartilhamento de bicicletas], substitui transporte, mais do que elimina carros (8).
No que diz respeito à hotelaria, a internet também favoreceu o impulso das trocas entre particulares. Vários sites (9) permitem contatar uma multidão de anfitriões dispostos a receber pessoas em suas casas por algumas noites, gratuitamente – e isso em quase todos os países. Mas o fenômeno do momento é o “bed and breakfast” informal e cidadão e seu líder indiscutível, Airbnb. Ele permite passar a noite em Atenas ou Marselha e vai mimá-lo com um generoso café da manhã “opcional” por um preço inferior ao de um hotel. Um quarto vazio em sua casa ou mesmo seu próprio apartamento, quando sair de férias, pode tornar-se uma fonte de renda. Em poucas palavras: “Airbnb: viaje como ser humano”. Na imprensa econômica, contudo, o serviço mostra uma outra face. Ele orgulha-se de capturar mais de 10% do valor pago ao anfitrião, e ver o volume de negócios, de US$ 180 milhões em 2012, aumentar tão rápido quanto a capitalização na Bolsa, de quase US$ 2 bilhões.
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Em cartum, o duplo sentido da nova tendência…

“A riqueza está mais no uso que na posse – Aristóteles”, proclama a empresa de uso compartilhado de carros City Car Club. Mas, visto mais de perto, o desapego da posse diagnosticado por Rifkin não parece incluir o desapego do consumo: se no passado o sonho era possuir uma Ferrari, o de hoje é dirigir uma. E, se as vendas diminuem, aumentam os aluguéis. Esta “era do acesso” revela uma mutação das formas de consumo ligada a uma mudança logística: a circulação de bens e habilidades pessoais por meio de interfaces eficientes da web. Longe de assustar-se, as empresas veem nesta diluição um potencial de novas operações, nas quais elas serão os intermediários remunerados.
De um lado, isso possibilita aumentar a base de consumidores: quem não tinha meios para comprar um objeto caro pode agora alugá-lo. De outro, a comercialização estende-se à esfera doméstica e aos serviços entre particulares: o quarto de um amigo ou um assento no carro podem ser oferecidos para alugar, bem como uma mãozinha no encanamento ou no inglês. Podemos também antecipar o mesmo efeito do setor de energia, no qual a redução de gastos resultante de avanços tecnológicos leva ao aumento no consumo (10): a renda que uma pessoa ganha com o aluguel do seu projetor vai incentivá-la a gastar mais.
No entanto, existem novas práticas que irão reverter o consumismo. São muito diversas: os couchsurfers (literalmente, “surfistas de sofá”) permitem que desconhecidos durmam gratuitamente em suas casas ou desfrutem de sua hospitalidade. Os usuários do Recupe.net ou do Freecycle.org preferem doar a jogar fora objetos que não têm mais utilidade. Nos sistemas locais de trocas (SEL, na sigla em francês), as pessoas oferecem suas competências em base igualitária: uma hora de jardinagem vale uma hora de encanamento ou design. Em associações para a manutenção de uma agricultura camponesa (AMAP, na sigla em francês), cada um assume o compromisso de abastecer-se por um ano com o mesmo agricultor local, com quem pode desenvolver um relacionamento, e participar voluntariamente da distribuição semanal de legumes. Esse compromisso relativamente obrigatório reflete uma abordagem que vai além da simples ação de consumo, que consiste em “escolher com a carteira”.
Qual o ponto em comum entre esses projetos associativos e as empresas da distribuição C2C — de consumidor para consumidor? Comparemos os “surfistas de sofá” e os clientes do Airbnb: para os primeiros, o essencial reside no relacionamento com as pessoas, sendo o conforto secundário; para os segundos, é o inverso. Os critérios de avaliação são, portanto, sensivelmente diferentes: a atração do Airbnb, além do preço, está na limpeza do local e sua proximidade com o centro turístico, enquanto que no Couchsurfing.org, além da gratuidade, há a convivência com o anfitrião. Da mesma forma, plataformas tais como Taskrabbit.com oferecem troca de serviços entre particulares que pagam, enquanto que os SEL baseiam-se na doação.
Em textos destinados ao grande público, os promotores do consumo colaborativo citam frequentemente iniciativas associativas para vangloriar-se do aspecto “social” e “ecológico” dessa “revolução”. Essas menções desaparecem quando falam na imprensa de negócios. Na verdade, só podemos juntar essas duas abordagens sob o mesmo rótulo, de “economia do compartilhamento”, se levarmos em conta a forma dessas relações e minimizarmos as lógicas, muito diferentes, que as alimentam.
Essa combinação, que culmina no passe de mágica que consiste em traduzir compartilhar por alugar, é largamente encorajada por aqueles que procuram tirar vantagem do fenômeno. Por meio de um subterfúgio semelhante ao greenwashing (“lavagem verde de imagem”), projetos tipo AMAP são utilizados como garantia. Quem não leva em conta os valores sociais subjacentes a esses projetos participa, assim, de uma espécie de “lavagem colaborativa” (collaborative washing). As pessoas que oferecem seu teto, sua mesa ou seu tempo a desconhecidos geralmente se caracterizam, na verdade, pela busca de práticas igualitárias e ecológicas – o que as aproxima ainda mais de cooperativas de consumo e produção e de plataformas de troca C2C.
Essa dualidade coincide com muitas outras: a que separa o “desenvolvimento sustentável” da ecologia política, ou ainda o movimento do software de código aberto – que promove a colaboração de todos para melhorar o software – e o de software livre – que promove a liberdade dos usuários a partir de uma perspectiva política. A distinção feita por Richard Stallman, um dos pais do software livre, poderia ser estendida a cada um desses domínios: “O primeiro é uma metodologia de desenvolvimento; o segundo, um movimento social (11)”.
*Animadores do coletivo La Rotative, www.larotative.org
Fonte: http://envolverde.com.br/sociedade/possuir-ou-partilhar/

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Posse do Grêmio (Parte III) a Solenidade

Diretora do Pozzi Ana Márcia e PCA de Humanas Cleusa Antunes

Prof. Cleusa Antunes, Presidente Eleito do Grêmio Lucas Basílio Lopes
 ladeado por demais membros da diretoria empossada
Todos os membros da diretoria empossada do grêmio reunidos na cerimônia

Alunos das demais turmas prestigiando
os colegas que os representarão doravante 

Profª. Cleusa de Filosofia e Prof.Fredy Ravazzi de Geografia

Nos registros a Vice Diretora Sandra e o Prof. Fredy

Corpo diretor do Grêmio recém empossado

Corpo diretor do Grêmio recém empossado com a Profª Cleusa PCA da Equipe de Humanas que articulou todo o processo de constituição do Grêmio neste ano.



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Detalhes do dia da eleição da diretoria do Grêmio da EEP Gabriel Pozzi ( Parte I )

Lembretes das chapas concorrentes ao Grêmio

Detalhe interno da cabine da urna eletrônica montada para votação
 secreta da chapa concorrente a direção do Grêmio Pozzi 2014 

Detalhe externo da cabine de votação

Momento em que aluna exercita seu direito cidadão de eleger 
aquele que acredita será uma boa escolha

Alunos primeiro anistas (1º2), organizados aguardam o momento em que
 irão votar em seu candidato para direção do Grêmio

domingo, 11 de maio de 2014

Equipe de Ciências Humanas da E E Prof. Gabriel Pozzi realiza Assembléia para formação de Chapas concorrentes a diretoria do Grêmio 2014/2015

Professores Alexandre de História, Claudio de Sociologia, Cleusa de Filosofia e ausente da foto o Professor Fred de Geografia formam a equipe da Área de Ciências Humanas do Pozzi

Momento de atenção dos estudantes das três séries do EMI Gabriel Pozzi ouvindo as argumentações da equipe de professores da área de Ciências Humanas sobre as atribuições e prazos para efetivação do Grêmio.


Mestres compenetrados lendo as disposições legais gremistas a serem lidas para ciência dos alunos. 
Momento de chamamento dos alunos pelos professores para promoverem a Assembléia da Gênese do processo de formação das chapas para eleição da nova constituição gremista.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O maior problema da educação do Brasil

Metade dos jovens entre 15 e 17 anos

 não está matriculada no

 ensino médio. 

Pesquisa inédita mostra que a proporção dos que abandonaram

 a escola nessa etapa saltou de 7,2% para 16,2% em 12 anos

João Loes
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Não é sempre que apenas uma estatística basta para dar um bom panorama da realidade. O mais comum é que seja preciso esmiuçar diversos números e informações para realmente compreender o que está em jogo. Quem se debruça sobre o ensino médio brasileiro, porém, se depara com uma única estatística que parece sintetizar, de forma clara, a desastrosa situação desta etapa da educação: a taxa de evasão escolar. Uma nova pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, revela que apenas metade dos jovens com idade entre 15 anos e 17 anos está matriculada no ensino médio. Pior: entre 1999 e 2011, a taxa de evasão nesta faixa mais que dobrou, saltando de 7,2% para 16,2%. Ainda que o número absoluto de alunos venha aumentando, segundo o Ministério da Educação, dados de evasão como esses criam um senso de urgência que se sobrepõe a tudo. “Chama a atenção a dificuldade de enfrentamento da crise do ensino médio”, resume o estudo. “A despeito das reformas, os resultados das avaliações nacionais continuam surpreendendo negativamente os responsáveis pela condução da política educacional brasileira”, conclui.
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ARREPENDIMENTO
A evasão é grande, mas a maioria pensa em voltar à escola

A evasão, nesse contexto, é menos causa que consequência dessa crise. Ela é a parte visível de um conjunto de problemas conhecidos há décadas, mas sobre os quais nenhum governo tem feito o suficiente. “A crise é inquestionável e não podemos mais adiar o enfrentamento de um problema tão grave”, diz Maria de Salete Silva, coordenadora do programa de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância, no Brasil (Unicef). “O ensino médio é o maior desafio da educação do País.” Currículo inchado, com disciplinas demais para tempo de menos, ausência de um programa de ensino técnico integrado a essa etapa escolar, baixa remuneração dos professores e, fundamentalmente, inadequação do ensino médio à vida, às expectativas e às necessidades dos jovens compõem o retrato das dificuldades. “Esperar cinco anos para agir é condenar uma geração que hoje tem entre 15 e 17 anos a não ter perspectivas de futuro”, resume Maria Salete.
O paulistano Mateus Oliveira, hoje com 19 anos, sabe bem quanto abrir mão da educação nessa fase crucial limita as perspectivas de futuro. Quando tinha 17 anos e cursava pela segunda vez o primeiro ano do ensino médio, ele resolveu largar a escola para tentar a carreira de jogador de futebol. “Era um sonho que já tinha me custado a sétima série, que também repeti”, diz. Confiante no talento com a bola, ele insistiu, mas menos de um ano depois percebeu que o caminho não renderia frutos. Com 18 anos e sem o ensino médio concluído, matriculou-se no programa de educação de jovens e adultos, onde um ano de ensino pode ser cumprido em seis meses, e rumou para a carreira militar. Atrasado, finalmente conseguiu concluir o ensino médio esse ano, mas viu e ainda vê oportunidades lhe escaparem por causa da formação atrasada. “Já era para eu ter concluído o curso técnico que acabei de começar, em informática”, diz. Com a capacitação, ele poderia estar ganhando mais no Exército – onde ainda recebe um salário de base, além de não ter segurança de carreira – ou trabalhando como técnico em informática em uma empresa da área. “Me arrependo das decisões que tomei”, diz.
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SONHO FRUSTRADO
Mateus Oliveira, 21 anos, abandonou o ensino médio aos 17 anos
para tentar ser jogador de futebol. Não deu certo e agora ele
quer se tornar técnico em informática

Tratar o caso de Oliveira como o de um garoto perdido que simplesmente preferia jogar bola a estudar é, além de reforçar preconceitos, desperdiçar uma grande oportunidade de entender de onde vem o gigantesco desinteresse do jovem pela escola. Afinal, Oliveira não deixou o estudo só porque o futebol o atraía, mas também porque o colégio não parecia relevante o suficiente para ele. E não são poucas as razões que fazem da escola algo sem importância aos alunos, como mostra a pesquisa do Seade.
O currículo é um dos maiores problemas. Reformado em 1998 e 2012, mas ainda inchado por 13 disciplinas obrigatórias, além de cinco complementares a serem ministradas em conjunto com as demais, ele tem sido considerado excessivamente extenso para os três anos de ensino médio. Recentemente, ganhou força a ideia de dividir as disciplinas em grandes áreas de interesse. Trata-se de uma contribuição vinda do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que surgiu com a única função de avaliar essa etapa educacional, mas que hoje acumula a tarefa de selecionar alunos para universidades federais do País. A proposta é reunir, como acontece no Enem, biologia, física e química sob o guarda-chuva das ciências da natureza; história, geografia, filosofia e sociologia, sob ciências humanas, e assim por diante. “Mas o projeto é de difícil implantação, exige forte interdisciplinariedade, o que não se faz de uma hora para outra”, diz Luis Márcio Barbosa, diretor-geral do Colégio Equipe, em São Paulo.
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PROVEDOR
Hudson Silva, 22 anos, saiu da escola para poder trabalhar e ajudar em casa

Além das questões práticas, como o volume de disciplinas e o tempo disponível para cumpri-las, uma preocupação mais subjetiva com o currículo, mas não menos importante, tem ganhado cada vez mais espaço. Trata-se da distância abissal entre o conteúdo das disciplinas apresentado aos jovens e a realidade da vida que eles levam. “A escola continua muito tradicional, engessada diante da vida mutante do adolescente contemporâneo”, afirma o educador Barbosa. A chamada “integração do currículo às tecnologias educacionais”, meta no relatório do Seade, é um dos maiores gargalos. Hoje, segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), 84,4% dos brasileiros com idade entre 15 e 19 anos usam a internet para estudar. Outros 25,9% recorrem a tablets e celulares. ­Enquanto isso, poucas escolas no País fazem uma integração real de conteúdo e tecnologia, embora 73,8% delas já contem com computador e internet. Este descompasso entre expectativas dos alunos e entrega da escola é forte gerador de desinteresse, mas não é o único.
A ausência de uma articulação mais eficiente entre ensino profissional e ensino médio também é tida como uma das razões para a evasão nesta fase. Reconhecer que nem todos, ao completar 18 anos, vão rumar para a universidade e oferecer a alternativa do aprendizado técnico durante o ensino médio pode ser um caminho para manter alunos na escola. Se essa opção estivesse disponível para o paulistano Hudson Laton da Silva, hoje com 21 anos, ele provavelmente teria terminado a educação básica. Morador da Brasilândia, na zona norte de São Paulo, Silva saiu do colégio para se dedicar integralmente ao trabalho quando cursava o primeiro ano do ensino médio. “Tinha que ajudar em casa”, conta. Ele trabalha como mecânico e, se um curso técnico nessa área tivesse sido oferecido na escola onde ele estudava, o jovem teria uma razão a mais para continuar frequentando a instituição. Hoje ele corre atrás do prejuízo. Mesmo empregado – ele é funcionário de uma grande concessionária na capital paulista –, Silva pretende fazer um supletivo e finalmente terminar o ensino médio. “Vou ser sincero: vontade de voltar a estudar eu não tenho, mas sei que é importante, então quero fazer o supletivo”, diz.
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Boa parte dos que deixam de estudar pensa como ele e fala em retornar. Segundo dados da pesquisa do Cebrap, 61,8% dos jovens que abandonaram a escola nessa fase querem voltar para concluir o ensino médio, independentemente da razão que motivou a evasão. “Algumas decisões são tomadas de maneira impulsiva porque o adolescente já tem alguma autonomia, mas tem dificuldade para pensar a longo prazo”, diz Maria Cristina Figueiredo, coordenadora do Colégio Brasil Canadá, para quem, na adolescência, tudo é mais interessante que estudar. “Mas eles pensam no que fazem, refletem e costumam se arrepender quando veem que fizeram besteira.” Cabe à escola e aos pais dar subsídios ao aluno para que ele consiga administrar os impulsos da idade. Nem sempre, porém, é possível. A paranaense Andreia Tawlak, hoje com 21 anos, conhece, como poucos, as consequências da entrega às paixões adolescentes.
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Dona de um histórico escolar conturbado – ela havia repetido a sétima série e cursava pela segunda vez o primeiro ano do ensino médio –, Andreia surpreendeu a todos quando, aos 17 anos, anunciou que estava de mudança para Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Apaixonada pelo primeiro namorado, de 23 anos, ela diz ter sido convencida por ele a largar tudo e acompanhá-lo. “Foi coisa de idiota”, admite, hoje. O relacionamento durou um ano e meio, Andreia teve de retornar para Foz do Iguaçu, onde morava, e hoje está às voltas com um supletivo que não consegue terminar enquanto sonha com cursos de design e um emprego na área. “Os amigos do tempo de escola que continuaram estudando estão todos trabalhando. E eu? O que estou fazendo?”, questiona.
Embora muitos especialistas defendam que, mesmo em casos como o de Andreia, a escola tem responsabilidade por não ter mostrado à aluna a importância de permanecer em sala de aula, há visões contrárias a esta tese. A diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), Silvia Barbara, afirma que “jovens adultos” com seus 16, 17 anos devem assumir suas obrigações. “Nas análises dos problemas na educação, a escola e os professores são sempre os mais criticados e pouca ou nenhuma responsabilidade é legada ao adolescente e à família”, diz. Silvia diz ainda que a cruzada em favor de uma escola que privilegie ser agradável aos alunos antes de se preocupar em passar a eles o conhecimento acumulado da humanidade pode ter efeitos nocivos. “Vivemos em uma sociedade que valoriza demais o prazer e criminaliza demais o trabalho. E estudar sempre dará trabalho”, afirma.
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FASE
Maria Cristina Figueiredo, coordenadora do Colégio Brasil Canadá:
"Na adolescência, tudo é mais interessante que estudar", diz ela

Quando um jovem abandona a escola, perdem todos. A exclusão pela educação cria um abismo social e inibe o surgimento de um cidadão com uma participação social mais efetiva. Perde também o Brasil. “O País deixa de ter um profissional de nível médio com formação geral e um potencial profissional de nível técnico pós-médio ou de nível superior, com formação específica”, alerta Priscilla Tavares, professora e pesquisadora da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo. “As consequências do abandono no ensino são severas para o crescimento econômico.” Já passou da hora de enfrentarmos esse desafio.
FONTE:http://www.istoe.com.br/reportagens/326686_O+MAIOR+PROBLEMA+DA+EDUCACAO+DO+BRASIL

terça-feira, 18 de março de 2014

Nasi e Scandurra esquecem desavenças e recolocam o Ira! na estrada

O que há sete anos parecia improvável (para não dizer impossível) está prestes a se concretizar: o retorno do Ira!, durante a Virada Cultural, que acontecerá nos dias 17 e 18 de maio, em São Paulo. “Faz parte de ter um retorno digno de respeito com nosso público”, comemora o guitarrista Edgard Scandurra. “Ninguém havia entendido muito bem o final cheio de denúncias e blá-blá-blá na imprensa. Sempre pensei que poderíamos voltar pelo menos para ter uma despedida decente.”
A banda interrompeu a carreira abruptamente, após brigas entre os integrantes, em 2007, pouco tempo depois de lançar o disco Invisível DJ. A reaproximação de Scandurra e de Nasi aconteceu em abril de 2013, quando o vocalista telefonou para o guitarrista se oferecendo para participar de um evento beneficente. Os ingressos para o show, ocorrido em outubro, esgotaram-se rapidamente. “A partir dali, pela emoção que foi subir no palco novamente com aquelas canções e juntos, veio a possibilidade de estendermos para uma turnê”, conta Nasi. Agora, a expectativa é repetir a maratona de shows que seguiu o disco Acústico MTV (2004), que durou um ano e meio e teve mais de 200 apresentações.
Além de Scandurra e Nasi, a banda contará com nova formação – Daniel Scandurra (filho do guitarrista, no baixo) e Evaristo Pádua (parte da banda solo de Nasi, na bateria), além de Johnny Boy (como músico de apoio, no violão e teclados, instrumento que tocou em quase todos os álbuns do Ira! nos anos 1990). Eles serão empresariados por Airton Valadão Rodolfo Júnior, irmão de Nasi, que havia sido um dos pivôs da separação e agora foi responsável pela reaproximação da dupla. O baixista Ricardo Gaspa e o baterista André Jung, que fizeram parte do Ira! entre 1985 e 2007, ficaram de fora da reunião. “Infelizmente, em função de toda a animosidade criada no momento da nossa separação, para alguns integrantes parece que não existe muito retorno”, conta Scandurra, que afirma ter o “grande sonho” de que, mesmo que não voltem a tocar juntos, os músicos façam as pazes fora dos palcos.
No repertório, estarão sucessos como “Envelheço na Cidade” e “Flores em Você”, e lados B, entre eles “O Bom e Velho Rock ‘n’ Roll”. Há ainda a possibilidade de três canções inéditas entrarem no setlist. O clima dos ensaios tem sido tão bom, afirma a dupla, que tanto Scandurra quanto Nasi não descartam a possibilidade de em breve gravar um novo álbum. “A intenção inicial era fazer uma turnê para visitar de novo o Brasil e reaprender a tocar com outros músicos. Mas está começando a se criar novas músicas. Então, não está descartada a ideia de um novo disco. É bem capaz de acontecer”, avalia Nasi.
“É a volta da parceria que, apesar de toda a hecatombe que caiu sobre nós, não morreu”, continua o vocalista. “Eu e Edgard começamos praticamente juntos, no final da nossa adolescência, com o sonho de ter uma banda de rock, quando isso era algo praticamente sem perspectiva no Brasil.” Scandurra garante que, apesar de serem frequentemente ligados à década de 1980, eles criaram canções atemporais. “Mesmo que tenhamos aparecido como membros de uma cena forte daquela época, nossa música atravessou os anos 1990, entrou nos anos 2000 e ainda mantém um espírito jovem e desafiador, que retira a característica de uma banda de veteranos tocando músicas nostálgicas”, afirma. “Temos muito ainda para mostrar a uma nova geração, inclusive de artistas.”

sexta-feira, 14 de março de 2014

Educação Educação Edu Cação E Du Cação Educa Ação Educação

A escola além dos muros

por Luana Chrispim, do Blog Educação

shutterstock criatividade A escola além dos muros
Foto: http://www.shutterstock.com/

Carta das Cidades Educadoras, de 2004, assevera que as cidades, de quaisquer tamanhos, dispõem de “inúmeras possibilidades educadoras” e oferecem “importantes elementos para uma formação integral”. Já a Declaração das Cidades Educadoras para o Desenvolvimento Sustentável, documento de 2011, coloca como dever das cidades educadoras oferecer às escolas oportunidades e recursos educativos além do contexto formal de educação e ensino, de modo a proporcionar experiências “pedagogicamente mais eficientes porque desenvolvidas em ambiente real”.
Coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF Olavo Pezzotti, de São Paulo, Elisa Mirian Katz acredita que o diálogo entre escola e espaço público e a apropriação desse espaço pela escola são experiências que enriquecem a construção do conhecimento. Recentemente, os alunos do 5º ano da EMEF participaram do projeto “Escola na Praça”, no qual uma vez por semana as aulas eram realizadas no Parque Linear das Corujas.
A coordenadora relata que a possibilidade dos alunos estarem em outro local, que faz parte da região onde a escola está situada, conversando com pessoas de diferentes áreas do conhecimento, possibilitou conexões entre o que se aprende na escola e a vida. “O que a escola ensina tem que ter validade fora, para o mundo, para a vida. Tem que ter sentido”, diz. Katz também conta que, de maneira informal, nas reações dos alunos, foi possível perceber um valor de pertencimento ao lugar e a cidade, e que essas ações trazem um outro tipo de engajamento, de formação cidadã.
A professora do Ensino Fundamental da Escola Municipal Cleide Borges Reis, de Ubiratã – PR, Silvana Rodrigues Peres Lemes, assente: “É interessante estar fora das quatro paredes porque você aproveita para observar a criança. Você percebe que, às vezes, se há algo que ela não está desenvolvendo na sala de aula, no espaço aberto ela desenvolve com mais facilidade”.
Para a professora, que no ano passado realizou atividades com os alunos em áreas públicas da cidade, como a praça Vereador Horácio José Ribeiro, por exemplo, estar em um ambiente mais aberto permite conhecer comportamentos das crianças que dentro da sala de aula o educador não consegue observar. “Um ambiente diferente promove interações diferentes”, diz.
As educadoras acreditam que as aulas nesse formato deveriam fazer parte do cotidiano da educação. Katz explica que a instituição de ensino ficou marcada como um local que quase à parte da vida real e que o ideal seria que essa separação não existisse. A coordenadora afirma que não só é desejável como é necessário desenvolver práticas para que o espaço escolar transcenda seus muros.
“O espaço da escola é um espaço muito importante socialmente, mas é um espaço entre parênteses, apartado da vida real. Não é automático que os alunos façam relações entre o que aprendem na escola e a vida real. É preciso que eles tenham vivências onde possam experimentar o conhecimento que circula na escola e na vida”, enfatiza.
Em sua obra Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, o sociólogo e filósofo francês Edgar Morin diz que “é preciso ter uma visão que possa situar o conjunto” e que “é necessário dizer que não é a quantidade de informações, nem a sofisticação em Matemática que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente, é mais a capacidade de colocar o conhecimento no contexto”.
Colocar o conhecimento no contexto da vida dos alunos é um trabalho que demanda repensar o atual modelo de ensino e gestão educacional. O Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, nos princípios da escola educadora, diz que é preciso “uma nova forma de pensar e fazer educação, envolvendo múltiplos espaços e atores, que se estrutura a partir do trabalho em rede, da gestão participativa e da co-responsabilização.”
Lemes diz que qualquer conteúdo pode ser ensinado nos espaços públicos e acredita que é necessária uma mudança de pensamento por parte dos educadores para que sejam desenvolvidas mais ações de apropriação dessas áreas pelo ensino. “O professor deve vencer o medo de tirar o aluno da sala de aula. A responsabilidade é bem maior, pois dentro da escola o professor consegue contornar alguma situação imprevista, o que no espaço aberto é mais difícil”, explica.
Katz considera a questão complexa e concorda que os professores precisam se dispor a “pensar que suas propostas têm que ganhar vida no mundo”. Para a coordenadora, as condições para fazer isso também precisam estar mais garantidas. “É uma combinação entre professores que assumam para si essa ideia de que é preciso tornar o ensino mais vivo para que a aprendizagem se dê e de condições operacionais que animem as pessoas a utilizarem esses recursos, a utilizar a cidade como lugar de aprender”, considera.
* Publicado originalmente no Blog Educação

terça-feira, 4 de março de 2014

Equinócio da Primavera


Equinócio da Primavera é o nome dado pela astronomia ao momento que marca o início da estação conhecida como primavera.

Datas e horas do Início da Primavera

  • Em 2014, no dia 20 de Março às 16:57
  • Em 2015, no dia 20 de Março às 22:45
  • Em 2016, no dia 20 de Março às 04:30
  • Em 2017, no dia 20 de Março às 10:28

O que é o Equinócio da Primavera?

A astronomia define então como Equinócio da Primavera aquele momento em que o Sol, assim como o vemos a partir da Terra, cruza o plano de equador celeste, ou a linha do equador terrestre que é projetada na esfera celeste, em março no hemisfério norte, e em setembro no hemisfério sul.
O termo "equinócio" é proveninente do Latim e é composto por duas palavras: uma significa igual (aequus) e a outra noite (nox). Equinócio significa portanto, noites iguais, uma vez que as noites e os dias têm sensivelmente a mesma duração de 12 horas.
Equinócios ocorrem duas vezes por ano, em março e setembro, altura em que definem mudanças de estação. No mês de março estamos perante o Equinócio da Primavera, ou o início da primavera no hemisfério norte. Isso significa que no hemisfério sul estamos perante oEquinócio de Outono. Em setembro acontece o exato oposto: o hemisfério norte dá as boas-vindas ao outono com o Equinócio de Outono, enquanto no hemisfério sul chega oEquinócio da Primavera.

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