segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sobre o Filme The Wall







As fantasias delirantes de um superstar do rock, que enlouquece lentamente em um quarto de hotel.
A história do THE WALL é contada com simplicidade pela música do Pink Floyd com imagens e efeitos naturais.
Não há diálogos convencionais para conduzir a narrativa.
O filme, que originalmente era pra ser uma mistura de materiais de shows da banda junto com algumas animações e cenas extras, conta a história de Pink (interpretado pelo músico, ator, ativista e famoso quem Bob Geldof) e da construção e demolição de um muro metafórico (que pode ser explicado pela alienação do personagm principal com o mundo).
Através de flashbacks, vemos pessoas e fatos que desenvolveram o estado mental de Pink: A morte de seu pai na 2ª Guerra Mundial, a super-proteção por parte de sua mãe neurótica, a repressão dos seus sonhos pelo seu professor, entre outras coisas.
No filme inteiro, há poucas falas.
A história é contada inteiramente pelas musicas do CD (que, se não me engano, estão todas presentes no filme).
Além disso, algumas cenas como a construção do muro são mostradas por animações desenhadas por Gerald Scarfe, o que adiciona certas cenas surreais que não poderiam ser feitas com segmentos live action.
Por haver poucas falas, o filme pode ser interpretado de várias maneiras, a ponto do expectador poder escolher qual cena é real e qual cena é uma visão da mente distorcida de Pink.

Roger Waters no Morumbi



Como a turnê do U2, mostrada no mesmo lugar no ano passado, o show de Roger Waters no Morumbi impressiona e deixa a pergunta no ar: isso ainda é rock? Provavelmente, é algo além.
Roger Waters homenageia Jean Charles de Menezes, brasileiro morto em metrô de Londres, em seu show em São Paulo
Uma obra fundamental para a história roqueira, o álbum duplo "The Wall", que o Pink Floyd lançou em 1979, chega à atual turnê de seu criador como um espetáculo visual arrebatador.
Difícil resistir a projeções deslumbrantes, explosões, fogos de artifício, rajadas de metralhadoras, um porco gigante flutuando sobre a plateia e até um avião desgovernado caindo no palco.

Não deixa de ser um caminho natural para a música do Pink Floyd.

A banda mais megalomaníaca do rock foi, a cada disco, tratando sua música como algo quase sacro.
E Waters foi o maior responsável por isso.
Uma boa parte do público cultua essa prepotência musical.
Dela fazem parte os fãs que choravam no estádio do Morumbi.
O espetáculo grandioso acertou em cheio várias vezes, principalmente na primeira parte do show.
Sim, primeira parte. Porque, praticamente passando atestado de sua condição de ópera-rock, o show tem um intervalo de 20 minutos.
Colocado entre a última música do disco um do LP duplo "The Wall" e a primeira faixa do segundo disco.
Embora sirva como chance para ir ao banheiro ou pegar mais uma cerveja, esse intervalo não poderia ser menos rock and roll.
Parando de implicar com o formato do show, sobra observar que algumas músicas são realmente poderosas tocadas ao vivo. "Mother", "Hey You", o hit "Confortably Numb" ou "Bring the Boys Back Home".
A opção de apresentar as 26 faixas de "The Wall" na ordem em que estão no álbum quebra surpresas de repertório.
E cria, sem querer, um anticlímax.
"Another Brick in the Wall Part 2", a música mais esperada da noite, é executada na primeira meia hora de show, com o estádio berrando em uníssono.

HOMENAGEM

A homenagem ao brasileiro Jean Charles de Menezes, morto no metrô londrino em 2005 por policiais, se repetiu no telão.
Mesmo já conhecida pelos relatos das apresentações anteriores, em Porto Alegre e no Rio, o impacto continuou forte.
A primeira parte do show é mais inventiva, apresentada enquanto o "muro" é construído no palco.
Na segunda parte, com o "muro-telão" erguido até a penúltima música da noite, as animações projetadas nelas ficam um pouco repetitivas.
Depois de duas horas, as 70 mil pessoas de gerações variadas que quase lotaram o Morumbi saíram contentes. Viram um ícone do rock. Waters, 68, já avisou que esta deve ser sua última turnê.
É bonito vê-lo encerrar a carreira com sua maior obra em versão definitiva.

Amanhã, no Morumbi, no último show no Brasil, os fãs têm mais uma chance.



ROGER WATERS

AVALIAÇÃO ótimo

QUANDO terça (3), às 21h

ONDE estádio do Morumbi, pça. Roberto Gomes Pedrosa, s/nº

QUANTO de R$ 180 a R$ 600

CLASSIFICAÇÃO 12 anos