quarta-feira, 6 de maio de 2009

MATÉRIA


TEXTO COMPLEMENTAR:
O ENREDO DE MARX E ENGELS

(Texto de Chico Alencar, publicado n’ O Globo em 20/02/98)

Os dois rapazes não fizeram por menos: Karl Marx, 30 anos, e Friedrich Engels, 28, queriam que o seu Manifesto Comunista desfilasse por todas as principais avenidas do mundo, parando para uma homenagem especial nas portas das fábricas. A apoteose, que faria tremer a burguesia, tinha um nome: revolução.
Foi há exatamente l50 anos, num 20 de fevereiro. O pequeno livro, em alemão, teve uma tiragem inicial de apenas mil exemplares, mas sacudiu consciências com seu conhecidíssimo refrão final: " proletários de todos os países, uni-vos!". Os unidos da Liga Comunista deveriam ser os trabalhadores das indústrias do século passado, que compunham uma das mais numerosas e espoliadas alas daquele desfile social. Para os conservadores de todo o tipo, o comunismo era um "fantasma", um "espectro que rondava a Europa". No Manifesto de tantas alegorias, a nobreza decadente, agarrando-se como podia ao que lhe restava de poder, formava a parte mais retrógrada. A burguesia até que merecia destaque, tal sua capacidade de mudar o mundo, transnacionalizando mercados, universalizando literaturas, derrubando fronteiras, implantando novas técnicas de produção, transportes e comunicação. A burguesia era um luxo só: "criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas". Mas, "como um feiticeiro que não controla mais as forças que desencadeou (...) produz o seu próprio coveiro: o proletariado". A ala dos barões famintos de absolutismo monárquico e dos napoleões retintos da fuligem das fábricas, que sujava os seus ternos de casimira inglesa, tinha seguidores: a classe média de pequenos proprietários rurais e artesãos e a "escória das camadas mais baixas da sociedade", o lumpezinato. Na evolução da revolução, a tendência desses setores, segundo Marx e Engels, era de se aliar à reação, ao conservadorismo. Fossem eles camponeses aferrados a valores tradicionais, fossem mendigos, desempregados, os marginalizados das cidades.
No quesito empolgação o Manifesto Comunista arrebentou. Após detectar, com coragem, que a história da Humanidade, até então, "era a história da luta de classes", comentava quase elogiosamente a revolução burguesa (o relativo fascínio com o industrialismo e com a ruptura da velha ordem se explica: afinal, "as idéias dominantes de uma época são as idéias da classe dominante"...). E anunciava, profético, messiânico, o advento de um tempo de justiça (não necessariamente de mais delicadeza, Chico Buarque da Mangueira), sem classes e antagonismos, onde "o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos".
O Manifesto era arrebatador: os proletários "nada têm a perder, a não ser suas cadeias". Essa força afirmativa, anunciando a revolução logo ali, na esquina, conquistou corações e mentes. E tinha a ver com a violenta realidade européia. Ainda cheirando a tinta, o Manifesto era brandido nas ruas rebeladas de Paris, nas cidades alemãs, nas insurreições italianas, naquela Europa da "primavera dos povos" do século XIX. Poucos imaginavam que os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade seriam substituídos pela presença da infantaria, cavalaria e artilharia... A serviço de uma burguesia sem fantasias, assustada e anti-histórica, aliada à aristocracia histérica. Contra o povo, contra a revolução, contra o socialismo, fosse ele "utópico", "pequeno-burguês", "feudal" ou "científico".

MARX E ENGELS

Karl Heinrich Marx
Foi um intelectual alemão considerado um dos fundadores da Sociologia. Também podemos encontrar a influência de Marx em várias outras áreas (tais como filosofia, economia, história) já que o conhecimento humano, em sua época, não estava fragmentado em diversas especialidades da forma como se encontra hoje. Teve participação como intelectual e como revolucionário no movimento operário, sendo que ambos (Marx e o movimento operário) influenciaram uns aos outros durante o período em que o autor viveu.Atualmente é bastante difícil analisar a sociedade humana sem referenciar-se, em maior ou menor grau, à produção de K. Marx, mesmo que a pessoa não seja simpática à ideologia construída em torno de seu pensamento intelectual, principalmente em relação aos seus conceitos econômicos.
Friedrich Engels
Foi um filósofo alemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi co-autor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.Grande companheiro de Karl Marx, escreveu livros de profunda análise social. Entre dezembro de 1847 à janeiro de 1848, junto com Marx, escreve o Manifesto Comunista. Sem dúvida nenhuma, Engels foi um filósofo como poucos: soube analisar a sociedade de forma muito eficiente, influenciando diversos autores marxistas.
É uma corrente socialista desenvolvida por Karl Marx e F. Engels, que defende a socialização dos meios de produção e a dissolução do Estado e do capital privado, ou seja, destruição do próprio capitalismo. Mas como fazer isso???Marx e Engels, diferentes dos socialistas utópicos, estudaram profundamente sociedade capitalista, podendo assim compreender intimamente seu funcionamento. Desse modo eles produziram um verdadeiro "método", baseado no materialismo histórico, para construir o movimento que derrubaria a burguesia e implantaria o socialismo.
Segundo Marx/Engels, todas as sociedades até os dias de hoje tiveram suas histórias baseadas nas lutas de classes. Na Grécia antiga eupátridas (cidadãos nobres) versus metecos (estrangeiros) e escravos, no Império Romano patrícios versus plebeus, na Idade Média, servo versus senhor, e, finalmente, na era contemporânea, burguesia versus proletários. Ou seja, a história da humanidade é a história do antagonismo de classes, dos exploradores e dos explorados.Mas a história do capitalismo está com os dias contados. Assim como a burguesia derrubou a nobreza, no fim da Idade Média, para implantar seu modo de produção, ela será derrubada pelos seus filhos pobres e excluídos, os proletários.Já dizia Marx:2 - "A burguesia, porém, não forjou somente as armas que lhe darão a morte; produziu também os homens que manejarão essas armas - os operários modernos, os proletários",3 - "a burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis ".

MARX E ENGELS





Karl Marx
1818 - 1883
Friedrich Engels
1820 - 1895

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