terça-feira, 3 de novembro de 2009

Serra assina projeto para oferecer internet mais barata


Serra assina projeto para oferecer internet mais barata

Em 2008, aproximadamente 18 milhões de domicílios no Brasil possuíam pelo menos um computador. Esse é um dado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no mês passado. Apenas 24% dessas residências com computador estavam conectadas à internet.No que diz respeito ao Estado de São Paulo, o número de residências conectadas tende a aumentar. Segundo matéria divulgada pelo portal UOL, o governador José Serra assinou, no dia de ontem, um projeto que visa oferecer internet banda larga com preços mais baixos para pessoas com uma renda não tão favorável. O projeto intitulado “Banda Larga Popular” tem como objetivo principal a expansão do serviço e o incentivo ao acesso à rede.O preço foi estipulado, no máximo R$ 29,80 por mês. As empresas que oferecem o serviço banda larga e optarem por aderir a essa campanha terão isenção do ICMS, que antes era de 25%. O serviço vai oferecer conexões de 200 Kbps até 1 Mbps, sem limite de horário ou tráfego de dados. O Governo espera contar com parceria de operadoras de banda larga fixa e móvel. Por enquanto, apenas a Telefônica deu sinal verde para essa promissora parceria.A empresa pretende vender pacotes de 250 Kbps, com permanência mínima de 12 meses, a partir de 9 de novembro, por R$ 29,80. Um nota oficial será enviada confirmando os dados. Vale ressaltar que o pacote de internet rápida mais barato que a Telefônica oferece hoje é o Speedy 500, no valor R$ 49,90 ao mês. Das operadoras de telefonia móvel, a Vivo confirmou que vai fazer parceria com o Governo.Fã confesso e frequentador assíduo do Twitter, principalmente durante as madrugadas, o governador Serra afirmou em um de seus posts que a meta é atingir 2,5 milhões de pessoas com a banda larga. “Nossa meta é conectar metade das residências paulistas”, afirmou.
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Poesia toma conta da periferia de São Paulo

Cooperifa

Na definição mais fiel da palavra, a poesia é uma das sete artes tradicionais, uma linguagem humana que transcende o emocional das pessoas, por meio do uso das palavras. O caráter emotivo e sensível das poesias traz alguns pré-conceitos errôneos. Quem nunca ouviu a frase “Poesia é coisa de mulherzinha”. Nada disso. A poesia não permite rótulos, ela não é segmentada ou direcionada, ela é de todos.A partir desse conceito, Sérgio Vaz, produtor cultural e poeta, criou a Cooperativa Cultural da Periferia ou simplesmente Cooperifa. O objetivo do movimento é levar cidadania para as pessoas da periferia da capital de São Paulo, através da literatura, e assim incentivar na comunidade a prática da leitura.O espaço escolhido para os encontros? O bar Zé Batidão, localizado no bairro Chácara Santana, periferia do extremo sul da capital. “Escolhemos esse bar porque era o único lugar público do bairro. Muitos aqui queriam mudar do bairro, mas resolvemos mudar o bairro. Então se queremos algo, nós mesmos podemos fazer”, disse Sérgio.Poesia e cinema na lajeFutebol? Música? Que nada. Os moradores comparecem ao bar Zé Batidão para participarem de saraus de poesia. Sérgio Vaz explica o porquê da escolha pela poesia, como fonte de disseminação da cultura no bairro. “Sou poeta e leio desde criança. Inclusive, escrevi meu primeiro livro em 1988. Então eu pensei que meus leitores estão primeiramente no meu bairro. Se eles não lerem o que eu escrevo, quem irá ler?”, indagou.O sucesso foi imediato. Os saraus acontecem sempre às quartas-feiras, das 21h às 23h. Com picos de 400 pessoas, os encontros recebem, em média, 250 apaixonados por esse gênero lírico. O perfil das pessoas presentes é diversificado. Crianças, adolescentes, adultos e idosos prestigiam os encontros poéticos, onde a “ordem” é recitar, com muita alegria e simplicidade. Outro projeto interessante da Cooperifa é o Cinema na Laje, que acontece também no bar do Zé Batidão. A ideia é levar aos moradores documentários e filmes “não hollywoodianos”, com a intenção de aproximar a ficção com a vida real deles. A pipoca é gratuita. Para dar um charme a mais, um lanterninha vestido a caráter participa desse “show” de cidadania e cultura.Mas será que os jovens se interessam, de fato, por poesia? Com a palavra, Sérgio Vaz. “Eles aceitam bem sim. A Cooperifa faz saraus todas as terças em escolas estaduais e municipais. Temos que mostrar a eles que a literatura é uma arte como a música. Eles são bombardeados todos os dias com poesia, através de raps, sambas e outros gêneros musicais, mas acabam nem percebendo. A poesia está no campo de futebol, em todo lugar. “A intenção é mostrar isso a eles e partir disso, usar a palavra para fazer com eles cheguem ao livro”, afirmou.II Mostra Cultural da CooperifaNo ano da comemoração do oitavo aniversário da Cooperifa, quem ganha o presente são os moradores do bairro e demais interessados por literatura, dança, cinema, teatro, música, saraus, feira de livros, exposições e debates. Trata-se da II Mostra Cultural, que acontecerá entre os dias 19 e 25 de outubro. A programação completa das atividades, bem como os locais, pode ser encontrada aqui: VejaA II Mostra Cultural é totalmente gratuita. Quinze escolas já estão agendas para participar. Sérgio Vaz resume a importância de um evento desse porte. “A intenção é levar mais cultura à periferia. Trazer o teatro para cá. Trazer a dança para cá. Enfim, estamos criando as oportunidades. As pessoas aqui da periferia tem que descobrir as coisas, sem sair da quebrada”, sintetizou.
Para conhecer mais o trabalho da Cooperifa e ficar por dentro de todos os eventos, acesse: Cooperifa

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O Quinto dos Infernos

O Quinto dos Infernos

28/10/2009 - 00:00 - Autor: Redação JL

Lá pelo século 18, por volta de 1720, o rei de Portugal baixou decreto estabelecendo que de tudo quanto se produzisse no Brasil, então colônia, um quinto, ou seja, 20%, deveria ser entregue para a Coroa Portuguesa como tributo. Tal medida, que visava principalmente à produção mineral, ouro e pedras preciosas, foi considerada extremamente impopular, mesmo pelos portugueses que moravam no Brasil, e daí a expressão "quinto dos infernos", pois o imposto, para os donos de minas, era algo tão infernal que alguns militares do exército colonial, profissionais liberais e até mesmo donos de minas, começaram a pensar em uma forma de se livrar de um governo tão oneroso e tais pensamentos acabaram estimulando o surgimento da Inconfidência Mineira.
O Produto Interno Bruto Brasileiro atualmente se situa entre os dez maiores do mundo, geramos muito mais riqueza aqui do que diversos outros países cuja qualidade de vida é bastante superior e cujos índices de desenvolvimento humano são bem melhores do que o nosso. Por que, tendo uma economia tão rica, ainda vemos tanta miséria no País? Bem, uma das razões está exatamente nos dois quintos dos infernos que agora pagamos aos nossos governantes. A carga tributária brasileira se aproxima de 40%, ou seja, de tudo o que é produzido no Brasil, praticamente dois quintos vão para os governos federal, estadual e municipal. Além disso, o déficit público é gigantesco, pois os gastos do governo não param de crescer. O custo das obras públicas é astronômico e quem deveria fiscalizar, não o faz. O cidadão paga altos impostos sem perceber, não nota que em um pacote de biscoitos ou em um litro de refrigerante ou de combustível estão embutidos impostos acima de um quinto do preço do produto, e não percebe que tem que pagar por educação, saúde e segurança privadas, pois o serviço público é de péssima qualidade, a corrupção campeia e a criminalidade explode.
Na minha primeira viagem aos EUA, na década de 70, morei perto de Chicago e acabei conhecendo um cidadão cujo tio-avô havia sido um mafioso nos anos 40. O ex-mafioso, pelo menos assim se declarava, relatou que lá existe corrupção, contou que a Máfia pagava um determinado prefeito para que a polícia local não incomodasse os negócios de prostituição e bebidas. Porém, certo dia descobriram que o tal prefeito estava superfaturando uma obra, pegando comissão de uma empreiteira que fazia uma estrada com má qualidade, daquelas que desmancham na primeira chuva. Aí, a Máfia "sumiu" com o prefeito, nunca mais ninguém teve notícias dele. Antes, porém, o prefeito e os vereadores receberam a advertência: "Nós já pagamos vocês para que nos deixem em paz, não há razão para vocês roubarem o povo. Tratem de fazer as obras corretamente". Como se pode ver, lá a população arca com um quinto de um inferno que, embora corrupto e criminoso, não rouba tanto do povo. Já por aqui, arcamos com dois quintos de um inferno onde traficantes não estão dispostos a disciplinarem os políticos e políticos não estão dispostos a acabar com a criminalidade.

Celso Leite
ADMINISTRADOR, CONSULTOR DE EMPRESAS, PROFESSOR E TRADUTOR JURAMENTADO