terça-feira, 24 de julho de 2012

UMA BOMBA DE CARBONO

UMA BOMBA DE CARBONO


Permafrost é um solo formado por terra, rochas e gelo, que se mantêm congelado há milhares de anos em todo o território do Ártico, absorvendo e armazenando carbono como matéria orgânica.
Não se sabe ao certo quanto de carbono está congelado no permafrost, no entanto, uma pesquisa realizada por um dos principais pesquisadores do assunto, o professor de ecologia da Universidade da Flórida, Ted Schuur, publicada na revista Bioscience, afirma que ali está contido mais que o dobro de todo o carbono existente em nossa atmosfera hoje.
As áreas dos permafrosts estão na Rússia, América do Norte, Groelândia e principalmente na Sibéria, garantindo que cerca de 1.672 bilhões de toneladas métricas de carbono contidos no gelo não atinja a atmosfera, que tem hoje cerca de 780 bilhões de toneladas de carbono.
No entanto, o preocupante é que a pesquisa revela o descongelamento no Permafrost por conta do aquecimento global. "É como uma bomba-relógio em câmera lenta", afirmou Schuur, explicando que conforme o permafrost derrete, o carbono contido nele é liberado na forma de metano, se estiver debaixo d'água, como é o caso da maior parte da Sibéria, local onde os danos são mais visíveis.
Se estiver sem o contato com a água, o carbono é liberado na forma de dióxido de carbono (CO2). Para se ter uma ideia da situação, a queima de combustíveis fósseis joga na atmosfera cerca de 8,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. O desmatamento das florestas tropicais e a substituição delas por pasto ou outras culturas agrícolas, adicionam cerca de 1,5 bilhões de toneladas no mesmo período.
Quanto ao permafrost, a quantidade de CO2 liberada será relativa dependendo muito da forma a qual ele descongele, mas Schuur estima que o número poderia ser de 0,8 a 1,1 bilhões de toneladas por ano.
Isso causaria um desequilíbrio na temperatura do planeta sem possibilidade de reversão.

O que podemos fazer?

Cada um de nós tem sua parcela de culpa no aquecimento global. Afinal, ainda não combatemos a criação de pastagem e a derrubada de florestas, fazendo com que o Brasil, que tem a maior capacidade de melhora do quadro climático no mundo, se torne o 5º maior incentivador do aquecimento global entre as nações.
Mas podemos reverter muito este quadro quando sabemos a procedência da madeira que foi usada para a fabricação de nossos móveis, sempre por meio de selos de certificação e não pela palavra do vendedor.
Não podemos esquecer de diminuir nossas pegadas de carbono diretas, atentos ao uso de combustíveis como gasolina e diesel. Por isso, é importante dar e pegar carona, além de usar transportes sustentáveis como bicicletas, para deslocamentos curtos.
E sempre que puder plante uma árvore. Não podemos deixar que nossa insustentabilidade elimine o permafrost, só assim evitaremos que o permafrost nos elimine.






Amelia Earhart homenageada com um google doodle 115 anos depois do nascimento

Terça-feira, 24 Julho 2012 

Amelia Earhart, pioneira na aviação dos EUA, é hoje alvo de uma homenagem com um google doodle, no dia do 115.º aniversário. Amelia Earhart foi distinguida com o prémio ‘The Distinguished Flying Cross’, por ter sido a primeira mulher a voar sozinha sobre o oceano Atlântico.

Amelia Earhart notabilizou-se na aeronáutica, onde estabeleceu diversos recordes, mas também escreveu livos que relatam as experiências que viveu nos céus. Amelia criou diversas organizações para mulheres que pretendiam pilotar, no âmbito de outro projeto de vida: Amelia Earhart foi uma acérrima defensora das mulheres. Hoje, 115 anos depois do seu nascimento, é homenageada com um google doodle.

Nasceu em Atchison, Kansas, a 24 de julho de 1897. Amelia Earhart viria a ser dada como desaparecida a 2 de julho de 1937, no oceano Pacífico, perto da Ilha Howland enquanto realizava um voo à volta do mundo. Durante os seus quase 40 anos de vida, Amelia estabeleceu diversos recordes, escreveu livros e fez dos direitos da mulher a sua luta. Earhart viria a ser declarada morta a 5 de janeiro de 1939.

Filha de Samuel Earhart e Amelia Otis Earhart, Amelia Mary Earhart nasceu em Atchison, Kansas. Amelia herdou o espírito aventureiro das crianças da família Earhart e dedicou-se, na infância, àquilo a que hoje se chamaria de desportos radicais, descendo encostas em trenós, por exemplo. A homenageada de 24 de julho com um google doodle construiu com o tio Earhart uma rampa que simulava uma montanha-russa.

Aos 11 anos, Amelia viu pela primeira vez algo parecido com um avião, numa Feira Estadual de Iowa, em Des Moines.

Amelia Earhart foi vítima do alcoolismo do seu pai, cuja dependência deixou a família em circunstâncias difíceis. A sua personalidade estava a ser moldada, numa altura em que é levada para Chicago. Amelia conclui o curso no Hyde Park High School, em 1916.

Nesta altura, Earhart visita uma feira aérea, em Toronto, onde assiste a uma exibição de um piloto da I Guerra Mundial. Soube-se mais tarde que o piloto fez uma aproximação das duas jovens que estavam a assistir ao espetáculo, para as assustar. "Acredito que aquele pequeno avião vermelho me disse algo, quando se aproximou", diria Amelia, anos mais tarde.

Em 1920, visita um espaço de aeronáutica onde Frank Hawks (piloto que se tornaria famoso) proporciona-lhe uma viagem que mudaria a vida de Amelia Earhart. “Descobri que precisava de voar”, disse, sendo que todos os empregos que teve serviram para juntar dinheiro para aulas de voo, que Amelia começa em 1921.

Amelia Earhart compra um biplano Kinner amarelo em segunda-mão e começa a sua saga de recordes… Em 22 de outubro de 1922, Earhart voou a uma altitude de 14 mil pés, batendo um recorde mundial: foi a primeira mulher a fazê-lo. A 15 de maio de 1923, Earhart torna-se a 16.ª mulher a conseguir uma licença de voo da Fédération Aéronautique Internationale. E em 1927, a homenageada com um doodle acumula 500 horas de voo.

Até que Amy Phipps Guest, uma socialite americana, manifesta vontade em tornar-se a primeira mulher a atravessar o Oceano Atlântico. No entanto, percebe os perigos da viagem e desiste, mas tenta procurar uma jovem com coragem para cumprir essa viagem. Amelia Earhart participara numa viagem idêntica, mas não pilotou. No entanto, disse Amelia, “talvez um dia o faça sozinha”. E parte para a aventura.

O primeiro voo a solo, de longa distância, ocorre em agosto de 1928, sendo que Earhart torna-se na primeira mulher a efetuar um voo (sozinha) de ida e volta, na América do Norte. Em 1931, Amelia Earhart bate outro recorde mundial, de altitude, atingindo os 18 415 pés.

Já nesta altura Earhart liga-se à causa das mulheres, defendendo as mulheres-piloto. Em 1934, a corrida ‘Bendix Trophy’ baniu as mulheres, sendo que Ameila se recusa a voar, na corrida de abertura, extracompetição.

Aos 34 anos, a 20 de maio de 1932, Earhart partiu de Harbour Grace, Terra Nova, para voar para Paris. Catorze horas e 56 minutos depois, num voo com fortes ventos do norte, gelo e problemas mecânicos, Amelia Earhart pousou em Culmore, Irlanda do Norte. Um agricultor pergunta-lhe de onde voava. A resposta: “Da América”. No local, nasce um museu em memória de Amelia: o Amelia Earhart Centre".

Amelia Earhart torna-se na primeira mulher a efetuar um voo sozinha, sem escalas, através do Atlântico e é distinguida com diversoas prémios, entre os quais o ‘Distinguished Flying Cross’, do Congresso dos EUA, a ‘Cruz de Cavaleiro’, do governo francês, e a ‘Medalha de Ouro’, da National Geographic Society.

Entre 1930 e 1935, Amelia bateu sete recordes de velocidade e distância para mulheres, até que define uma nova meta: um voo mundial. Em julho de 1936, recebe um Lockheed 10E Electra e iniciou o projeto, que implicaria o mais longo voo, com 47 mil quilómetros, em voos repartidos.

A 17 de março de 1937, Amelia Earhart e a sua equipa efetuam a primeira parte do voo, de Oakland (Califórnia) até Honolulu (Hawai). A viagem é retomada três dias depois de Luke Field mas uma falha técnica provoca o cancelamento do voo.

Em 2 de julho de 1937, Earhart e Noonan descolaram de Lae, no avião carregado, com destino à Ilha Howland, mas a aproximação não foi bem sucedida e perde-se o contacto com os pilotos.


Começam as buscas por Amelia e Noonan, que prosseguiriam até 19 de julho de 1937. Outras buscas da Marinha foram levadas a cabo, à procura dos pilotos, sem sucesso. Nenhum vestígio do Electra ou dos pilotos foi encontrado.

Amelia Earhart – que hoje é homenageada com um google doodle – desaparecia, deixando um legado de mulher carismática, persistente, corajosa. Amelia é recorrentemente lembrada como um ícone.
Hoje, no 115.º aniversário do seu nascimento, é lembrada com um Google doodle

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mais uma lei que não pegou?




por Washington Novaes*
Teremos mais uma “lei que não pegou”, a que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/10)?
Aprovada pelo Congresso Nacional, a lei deu prazo até o dia 2 de agosto para que todos os 5.565 municípios apresentem ao governo federal planos e ações para essa área, consolidados em cada um no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, sem o qual não poderão receber transferências voluntárias de recursos da União. Quantos municípios o terão apresentado?
Certamente, uma minoria ínfima.
Porque os planos deverão determinar o fim dos “lixões” (que são mais de 2.900 em 2.810 municípios), a logística reversa (para recolhimento de embalagens pelos geradores), planos de coleta seletiva em todos os municípios (só 18% deles a têm para pequenas partes do lixo, menos de 1,5% vai para usinas públicas; a Holanda recicla 80%), possíveis consórcios intermunicipais. Isso quando se afirma que o país gera por dia mais de um quilo de lixo domiciliar por pessoa, mais de 200 mil toneladas/dia, mais de 60 milhões de toneladas/ano.
Diz o Ministério do Meio Ambiente que não prorrogará o prazo. Mas, na verdade, a lei começou a não ser cumprida ainda no Congresso, quando o relator do projeto aprovado na Câmara dos Deputados, senador Demóstenes Torres, em combinação com outros senadores, suprimiu do projeto o dispositivo que só permitia incineração do lixo se não houvesse outra possibilidade – reaproveitamento, reciclagem, aterramento – e não o devolveu à Câmara, como manda a legislação; mandou direto para o então presidente Lula, que o sancionou.
Ante os protestos de cooperativas de recolhimento e reciclagem, prometeu mudar na regulamentação da lei – mas não o fez.
O panorama brasileiro na área é constrangedor. Metade do lixo domiciliar total, que é orgânico, poderia ser compostada e transformada em fertilizantes (para canteiros, jardins, parques, replantio de encostas, etc.), mas é sepultada e apressa o fim dos aterros, assim como centenas de milhares de toneladas anuais de resíduos agroindustriais (aproveitáveis para gerar energia).
Uma ideia brutal do desperdício é o recém-fechado Aterro de Gramacho (RJ), onde, ao longo de 34 anos, se formou uma montanha de 70 metros de altura e 1.300 quilômetros quadrados de resíduos, sem coleta de chorume e metano (l8 mil metros cúbicos por hora).
Para servir ao Rio de Janeiro e mais quatro municípios.
Com tantos desperdícios as despesas municipais com o lixo vão para as alturas. A cidade de São Paulo, por exemplo, já próxima de 18 mil toneladas diárias, só em varrição gasta R$ 437 milhões anuais para pagar a cinco empresas de limpeza de ruas (Estado, 28/11/2010).
Ainda assim, segundo o IBGE, o lixo espalha-se nas ruas onde estão as casas de 4% dos paulistanos, perto de 500 mil pessoas (Folha de S.Paulo, 6/7).
E 400 toneladas a cada dia têm ido parar na Represa Billings (Estado, 28/11/2010).
O custo de um novo aterro para a cidade foi orçado (26/3/2010) pelas empresas de limpeza em mais de R$ 500 milhões, para receber apenas duas mil toneladas diárias.
Não é um drama paulistano apenas, é global.
O mundo, diz a revista New Scientist (4/8/2010), já produz mais de um quilo de resíduos por pessoa por dia nas cidades, quatro milhões de toneladas diárias, mais de um bilhão de toneladas anuais.
É um dos componentes da insustentabilidade do consumo global, tão discutida na recente Rio+20.
O desperdício na maior cidade norte-americana é de um quarto a um terço dos alimentos, em cujos produção, distribuição e processamento são consumidos 15% da energia total no país (e este, com 5% da população mundial, consome 20% da energia total).
Cada família desperdiça US$ 600 por ano com alimentos que nem chega a consumir.
Será inútil esperar que o Ministério do Meio Ambiente possa socorrer os municípios que disserem não ter recursos para cumprir a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Seu orçamento total para este ano (Contas Abertas, 2/7) não passa de R$ 4,1 bilhões, menos de 1% do Orçamento da União, e está contingenciado em R$ 1,1 bilhão.
Não tem recursos sequer para suas tarefas básicas, para a fiscalização, para quase nada.
Continuará o desperdício. Já tem sido mencionado neste espaço estudo da Unesp-Sorocaba em Indaiatuba (125 mil habitantes) que mostrou serem reutilizáveis ou recicláveis 91% dos 135 mil quilos diários de resíduos domiciliares levados para aterros (apressando o seu esgotamento). Experiências em Goiânia e outros lugares já demonstraram que com coleta seletiva adequada, reciclagem (papel, papelão, PVC), revenda de materiais (alumínio e outros metais, vidro, madeira), compostagem de lixo orgânico é possível reduzir a apenas 20% os resíduos encaminhados a aterros (prolongando a sua vida útil).
E ainda não se está falando de resíduos de construções (que costumam ter tonelagem maior que a do lixo domiciliar), lixo industrial, resíduos de estabelecimentos de saúde e outros, cujos custos de recolhimento e disposição final costumam correr por conta das prefeituras.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente até já reduziu exigências para implantar aterros que substituam lixões. Mas não parece provável que se tenha evoluído na área. Mesmo porque persiste uma pressão para que os municípios, principalmente os maiores, adotem como caminho – caro e perigoso – a incineração de resíduos, que implica também a necessidade de gerar cada vez mais lixo.
Quase todas as grandes empresas da área de coleta de resíduos – que são das maiores financiadoras de campanhas eleitorais no país – têm hoje empresas de incineração. Em ano eleitoral, então, a sedução e a pressão parecem irresistíveis.
Mas o caminho ideal seria que cada gerador de resíduos (domiciliar, industrial, da construção, agrícola, etc.) passasse, por lei, a ser responsabilizado pelos custos proporcionais do que gera – como se faz em todos os países que evoluíram nessa área.
* Washington Novaes é jornalista.

** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.



Se você for pobre, evite ficar doente no inverno


por Leonardo Sakamoto*



Estou convalescendo de uma pneumonia chata, que quase me fez botar os pulmões para fora de tanto tossir e me elevou à temperatura de chapa de X-salada.
E o fato de alguém ter esquecido a porta da geladeira do mundo aberta nesse inverno paulistano não ajuda em nada a melhorar o desconforto.
Por ter acesso a bons serviços de saúde, o diagnóstico e o tratamento foram rápidos, sem as agruras de uma fila sofrida para atendimento ou para exames básicos.
Como já disse antes, faço parte daquela parcela da população dependente de remédios para ter uma vida normal.
No meu caso, uma cardiopatia. Infelizmente, para quem não gosta deste blog, ela está controlada.
Pelo menos no curto prazo.
E, no longo, todos seremos adubo.

Já fiz esse inventário aqui, mas retomo a lista.
Devido ao jornalismo, peguei muita pereba nesta vida.
De malária, foram duas, falciparum, uma em Timor Leste e outra em Angola, durante coberturas.
Não digo isso com orgulho, pelo contrário.
Jornalistas da antiga contam que mediam-se carreiras pelo número de doenças tropicais contraídas.
Mas o tempo passou e a régua foi para a quantidade de textos censurados pela Gloriosa, depois para processos na Justiça até o número de discursos inflamados de congressistas indignados.

Dengue foi uma, no interior da Paraíba, doída – sem manchas, pelo menos.
Teve uma mononucleose do Punjab paquistanês.
 Dizem que é chamada de “doença do beijo”, pela forma de transmissão – a explicação que trouxe para casa (e que colou, pois Alah é grande) foi de que em muitos vilarejos, durante as refeições, o uso do copo era coletivo.
Outra vez, alguma porcaria se alojou perto do meu coração, gerando uma pericardite – o que me deixou uma semana internado, recebendo boa comida. Nessa, achei que ia empacotar, tamanha a dor no peito no começo.
Foi um período tranquilo, sem muita gente ligando, cobrando textos ou dívidas.
Viroses e afins não entraram na lista, mesmo que ferozes, porque aí teríamos uma capivara e não um post.
Aliás, a virose é a “pescada” da medicina.
É aquela coisa genérica, que muitas vezes nem o médico sabe o que é, mas, pelos sintomas, recebe o tratamento básico – água, alimentação leve, um analgésico e repouso.
E como jornalismo é uma profissão relaxante e o Brasil nem tem problemas na área de direitos humanos, “estresse” também não foi incluído.
Um amigo que sofre de outro mal crônico matutou que talvez sejamos exemplos vivos de que a humanidade conseguiu dar um nó na seleção natural.
Se deixassem a natureza seguir seu curso, seres malfeitos como eu e ele estariam naturalmente fadados a ser peça empalhada de museu: “Mãe, olha lá, aquele japa era um cardíaco, não?”.
Bateríamos as botas antes de atender ao divino chamado de multiplicar – ou no momento de cumprir esse chamado.
Hoje, não mais. Os fortes é que sobrevivem? Pfff! Esqueça.
Os remendados, como nós, é que herdarão a Terra.
Nossa vantagem competitiva?
Ter sempre à mão uma boa dispensa com medicamentos, além de médicos competentes.
Digo parcela da população porque posso comprar remédios de ponta, que funcionam e têm poucos efeitos colaterais, por exemplo.
Sucesso garantido graças a exigentes testes realizados à exaustão pelas maiores indústrias farmacêuticas do mundo em milhares de “voluntários” de classes sociais mais baixas.
Milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por causa da malária e outros tantos pegam a doença – a quase totalidade oriundos de países ou regiões pobres do planeta.
A relação de casos letais/investimento em cura é maior nas doenças que acometem a parte rica da população do que a parte pobre.
 A pesquisa para a busca da cura do câncer recebe muito mais que pesquisas para doenças causadas por parasitas que afetam bilhões.
E quando uma pessoa que tem acesso a recursos privados de saúde, como eu ou o doutor Drauzio Varella (que pegou febre amarela e narrou a experiência no belo livro O Médico Doente), fica ruim, há chance maior de cura do que alguém que depende de si mesmo, do poder público e de suas filas.
Pois parte da população vive no Século 21 da medicina, enquanto outros ainda engatinham pela Idade Média das esperas em hospitais, dos remédios inacessíveis, da falta de saneamento básico e da inexistência de ações preventivas.
Nada de novo.
Na prática, quem consegue jogar xadrez com a Dona Morte e enganá-la por um tempo são os mais ricos, que possuem os meios para tanto.
Os mais pobres, por mais que tenham força de vontade e queiram continuar vivendo, não necessariamente conseguem a façanha.
Vão apenas sobrevivendo, apesar de tudo e de todos, ajudando com seu trabalho e, algumas vezes, como cobaias, os que ganharam na loteria da vida a terem uma existência mais feliz.



* Publicado originalmente no site Blog do Sakamoto.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Governo de São Paulo recomenda: não ande de bicicleta na rua

por Piero Locatelli, da Carta Capital

Diário Oficial do Estado de São Paulo diz para ciclistas saírem das ruas.
O Diário Oficial do Estado de São Paulo dessa quarta-feira, 11 de julho, traz a manchete “mais ciclistas, mais acidentes”.
Dentro da reportagem, um especialista sugere: “para não colocar a vida de quem pedala em risco, recomendo não usar a bike no trânsito de São Paulo.
É uma opção segura de lazer em cidades menores, parques públicos e em ciclovias instaladas na capital, aos domingos”.
A reportagem, assinada pela assessoria de imprensa da secretaria de Saúde, deixa claro o tratamento dispensado à bicicleta em São Paulo.
O governo do estado não a trata como um meio de transporte, mas como uma brincadeira de fim de semana.
Ao invés de estimular o uso das duas rodas, o governo cria medo justamente em quem não é responsável pelos acidentes.
Um quadro de recomendações feito pela CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) endossa a reportagem, jogando a responsabilidade dos acidentes nos ciclistas.
“O aumento da velocidade implica maior risco, portanto não é uma boa prática no trânsito”, recomenda o órgão responsável pela segurança no trânsito.
O discurso do governo de São Paulo em dias normais contrasta com o do Diário Oficial de hoje.
O governador Geraldo Alckmin propagandeia que integrou a bicicleta ao metrô, com a possibilidade de carregá-la dentro dos trens. Mas só é possível fazer isso em horários restritos do fim de semana.
Ou seja, a bicicleta continua sendo tratada como diversão de crianças que vão ao parque no final de semana, e não um jeito de chegar ao trabalho.
No município de São Paulo, as atitudes também são fracas.
O prefeito Gilberto Kassab prometeu construir 100 quilômetros de ciclovias na cidade na sua gestão.
Há seis meses do fim do seu mandato, só entregou 18 quilômetros.
Seria ingênuo acreditar que a bicicleta sozinha solucionaria os problemas do trânsito paulistano e tonaria a cidade um lugar melhor.
A cidade concentra os empregos em regiões distantes e milhões de pessoas a atravessam todos os dias.
Não é possível pedir que alguém saia de cidades dormitórios na zona leste para trabalhar no centro de bicicleta, percorrendo mais de 30 quilômetros.
De qualquer forma, o Estado deveria estimular o uso de um transporte que traz benefícios à cidade.
Ao invés de criar uma cultura do medo e mandar o ciclista ficar em casa, deveria tornar a vida deles mais fácil.


* Publicado
 originalmente no site Carta Capital

terça-feira, 17 de julho de 2012

Tecladista do Deep Purple: Jon Lord, 71 anos, morreu de embolia pulmonar


Foto: Geety Images

Jon Lord, tecladista original do Deep Purple,
 morreu nesta segunda-feira (16)
devido a uma embolia pulmonar,
em uma clínica de Londres.
Ele tinha 71 anos e lutava contra um câncer no pâncreas.
A informação foi confirmada pela produtora de inglesa Guest Pr, que cuidava da carreira do músico.
Além de compor muitos sucessos do Deep Purple, entre 1968 e 1976 e depois em 1984 a 2002, ele também fez parte do Whitesnake e também ficou conhecido por seu trabalho solo de música clássica. No comunicado, a empresa diz que o música passa da "escuridão" à luz.
Virtuoso e prolixo, Lord é conhecido por produzir ao lado Ian Gillan (principal vocalista do Deep Purple) o lendário Concerto for Group and Orchestra,
 espetáculo de música clássica tocada pela banda e a Orquestra Filarmônica Real em 1969.
A apresentação, conduzida por Malcolm Arnold, foi repetida em 1999, no Royal Albert Hall, desta vez pela Orquestra Sinfônica de Londres.
Entre suas composições ao lado do Deep Purple estão as clássicas Smoke on The Water, Chasing Shadows, Highway Star, além de ser responsável pelo riff de Child in Time.
Entre 1969 e 2011, Lord lançou 19 álbuns de música orquestral, solo ou ao lado do Deep Purple, sem o último Jon Lord Live (Bucharest 2009).
Em 2009, o músico se apresentou com o Concerto For Group And Orchestra na Virada Cultural de São Paulo.
Na época,
o regente Rodrigo de Carvalho conduziu a Orquestra Sinfônica Municipal ao seu lado.
De grande contribuição à música, Lord condecorado em 2010 como membro honorário da Stevenson College,
nos Estados Unidos.
Em 2011, ele também foi foi homenageado com o título de doutor honorário em música na Universidade de Leicester, cidade onde nasceu em 9 de junho de 1941.





quinta-feira, 12 de julho de 2012

Reciclagem de pneus: quando a borracha bota o pé na estrada


por Redação The Economist



Além de
reduzir ruídos,
adicionar flocos de pneus
picados ao betume estende a vida útil do asfalto.
Transformar pneus usados em
estrada novas pode contribuir
para a redução da poluição sonora.
Cerca de um em cada 50 ataques cardíacos é causado pela exposição crônica ao trânsito barulhento, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os efeitos negativos da poluição sonora em tais países vêm atrás apenas daqueles causados pela poluição do ar, afirma a OMS.
A exposição de longo prazo
pode causar desequilíbrios hormonais
bem como problemas de saúde mental.
Ao adicionar “flocos” de pneus picados ao betume e à brita usada para fazer asfalto,
engenheiros estão projetando rodovias menosbarulhentas. Usadas pela primeira vez
em caráter experimental nos anos 60, este asfalto emborrachado mais macio reduz em 25% os ruídos.
Ainda melhor, este tipo de material ainda estende a vida útil do asfalto.
Naturalmente,
o uso do asfalto emborrachado
está se disseminando.
A reciclagem de pneus nos EUA
gera insumo o bastante para a produção de 32.000 km
de faixas do material, o bastante para recapear 0,5% das estradas americanas, de acordo com a Liberty Tyre Recycling,
uma empresa de Pittsburgh que processa cerca de um terço dos pneus reciclados dos EUA.
Rodovias de asfalto emborrachado também são populares na China, Brasil, Espanha e Alemanha.
E a popularidade do material pode aumentar ainda mais, já que hoje em dia émais barato produzir asfalto emborrachado que o tradicional.

 
* Publicado originalmente no jornal The Economist e retirado do site Opinião e Notícia.






Lixo orgânico é transformado em negócio lucrativo no Brasil

11/7/2012 - 09h32

por André Trigueiro*

A destinação inteligente do lixo úmido já é realidade em várias empresas do Brasil.
Uma delas consegue faturamento médio de R$ 100 mil por mês.
Lixo é um negócio lucrativo, e muito positivo para o meio ambiente, desde que tratado corretamente.
O que se joga fora de comida por ano no Brasil daria para alimentar 30 milhões de pessoas.
É a população do Iraque.
Cada um de nós gera em média um quilo de lixo por dia e mais da metade disso é matéria orgânica.
São 22 milhões de toneladas de alimentos que vão parar na lixeira.
Resíduos que se transformam em uma bomba-relógio ambiental na maioria das cidades brasileiras.
Abandonados a céu aberto, os resíduos orgânicos vão parar nos lixões, viram chorume, que contamina as águas subterrâneas.
Gás metano, que agrava o efeito estufa.
Atraem ratos, moscas e baratas, que transmitem doenças.
É nesses locais que milhares de pessoas acabam vivendo, na tentativa arriscada de ganhar a vida, mas há quem já enxergue no lixo uma maneira correta de trabalhar e excelentes oportunidades de negócio.
A destinação inteligente do lixo úmido já é realidade em várias empresas do Brasil.
De restinho em restinho chega-se a cinco toneladas de lixo por mês numa fábrica de produtos de beleza.
“Antes, a gente desenhava o procedimento mandando para aterro e hoje a gente utiliza nosso parceiro para fazer a compostagem, então é um ganho para sociedade”, fala o diretor da L’Oreal Brasil, Rogério Barbosa.
Numa outra fábrica de equipamentos, os recicláveis são separados num galpão e mais recentemente, o lixo orgânico também passou a ter um destino mais nobre.
Sem gastar um centavo a mais.
“A gente consegue evitar que vá para aterros sanitários, cerca de três toneladas de resíduos orgânicos por mês”, fala o gerente de fabricação de equipamentos da White Martins, Giovani Santini Campos.
Acompanhamos a rotina de uma das primeiras empresas do Brasil a transformar lixo orgânico em negócio lucrativo.
O material é levado para um imenso galpão em Magé, na região metropolitana do Rio, onde acontece a compostagem.
“A compostagem de forma natural duraria em torno de cinco a seis meses.
Com um líquido, que funciona como catalisador do processo, a gente acelera isso para em média 40 dias”, explica o diretor comercial da Vide Verde, Marcos Rangel.
Outra vantagem desse sistema é que ele reduz drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global.
Nos aterros de lixo, gera-se 400 gramas de gás para cada quilo de lixo orgânico.
Nas composteiras, essa emissão fica em torno de quatro gramas, por quilo, cem vezes menos.
O que antes era resto de comida vira material seco, sem cheiro ou riscos para a saúde.
Misturado à terra preta, o composto é ensacado para então se transformar em um produto cobiçado no mercado de jardinagem.
Quem quiser pode produzir adubo orgânico dentro de casa.
Em pelo menos cinco mil domicílios brasileiros, a Minhocasa é o destino final do lixo orgânico.
“O resíduo orgânico que a gente pode colocar dentro desse minhocário pode ser desde as cascas de frutas e verduras, os talos, como também o alimento que já foi cozido como sobra de arroz, feijão, macarrão, casca de ovo, borra de café, pão embolorado, tudo isso é bem-vindo”, conta o sócio fundador da Minhocasa, César Cassab Danna.
O sistema inspirado num modelo de política pública adotada na Austrália funciona até em apartamentos pequenos.
Em caixas fechadas, que não exalam mau cheiro, as minhocas realizam de graça a conversão do lixo em adubo.

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina Geopolítica Ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio, pela Editora FEB, em 2009.
É apresentador do Jornal das Dez e editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News.
É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.

** Publicado originalmente no site Mundo Sustentável.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Lixo recebe toneladas de ouro e prata por ano


por Redação Agência Fapesp

 
Ouro e prata
utilizados em equipamentos
eletrônicos somam mais de US$ 20 bilhões por ano e,
quando descartados, menos de 15% é recuperado, apontam instituições ligadas
às Nações Unidas. 

Agência Fapesp –
O lixo eletrônico é um problema importante e também valioso.
Segundo instituições ligadas à Organização
das Nações Unidas (ONU), cerca de 320 toneladas de ouro
e 7,5 mil toneladas de prata
são utilizadas anualmente para a produção
de aparelhos eletrônicos como
 computadores,
tablets e
celulares.

O valor dos metais empregados soma cerca de US$ 21 bilhões – US$ 16 bilhões em ouro e US$ 4 bilhões em prata – a cada ano e, quando os aparelhos são descartados, menos de 15% do ouro e da prata são recuperados.

O resultado do acúmulo constante é que o lixo eletrônico mundial contém “depósitos” de metais preciosos de 40 a 50 vezes mais ricos do que os contidos no subsolo, de acordo com dados apresentados na semana passada em reunião organizada pela Universidade das Nações Unidas e pela Global e-Sustainability Initiative (GeSI) em Gana, África.

As quantidades de ouro e prata que vão parar no lixo aumentam à medida que crescem as vendas de aparelhos como os tabletes, cujas vendas em 2012 deverão chegar a 100 milhões de unidades em todo o mundo, número que deverá dobrar até 2014.

Produtos elétricos e eletrônicos consumiram 197 toneladas em 2001, equivalentes a 5,3% da oferta mundial do metal.
Em 2011, foram 320 toneladas, com 7,7% do total disponível. Apesar do crescimento de cerca de 15% na oferta de ouro na última década, o preço do metal disparou, aumentando cinco vezes entre 2001 e 2011, segundo o levantamento.

“Em vez de olharmos para o lixo eletrônico como um fardo, precisamos encará-lo como uma oportunidade”, disse Alexis Vandendaelen, representande da Umicore Precious Metals Refining, da Bélgica, durante o evento.

De acordo com os especialistas, além de melhores padrões de consumo sustentável, os sistemas de reciclagem precisam melhorar para lidar com o novo tipo de lixo, mais valioso, porém mais difícil de trabalhar do que plástico ou papel.

De acordo com o levantamento feito pela GeSI e pela iniciativa Solving the E-Waste Problem (StEP) – que envolve organizações da ONU, da sociedade civil e empresas –, cerca de 25% do ouro é perdido e não pode ser recuperado por conta dos processos de desmanche empregados nos países mais desenvolvidos.
Nos países em desenvolvimento, o total inviabilizado chega a 50%.

Para os especialistas presentes na reunião em Gana, o lixo eletrônico não deve ser encarado como lixo, mas como recurso, uma vez que representa uma importante fonte de renda e sua reciclagem é fundamental para a preservação do ambiente e para o desenvolvimento sustentável.

E isso não se aplica apenas ao ouro e à prata, mas a diversos outros metais, como cobre, paládio, platina, cobalto ou estanho, contidos nos produtos eletrônicos descartados.

“Precisamos recuperar elementos raros de modo a poder continuar a fabricar produtos de tecnologia da informação, baterias para carros elétricos, painéis solares, televisores de tela plana e uma infinidade de outros produtos populares”, disse Ruediger Kuehr, secretário executivo da StEP.

Ouro e prata utilizados em
equipamentos eletrônicos somam mais de US$ 20 bilhões por ano e,
quando descartados, menos de 15% é recuperado,
apontam instituições ligadas
às Nações Unidas.


“Um dia –
espero que mais cedo do que tarde –,
as pessoas vão olhar para trás e perguntar como foi que nós conseguimos ser tão cegos e desperdiçar
tanto nossos recursos naturais”,
disse Kuehr.

Mais informações: www.step-initiative.org.

* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.

(Agência Fapesp)



terça-feira, 10 de julho de 2012

O Valor da Música


Esse artigo é escrito por uma menina, chamada Emily White, que deve ter seus 20 e poucos anos.
Nele, ela fala sobre como nunca comprou música.
Como não sente falta da experiência de comprar música como um artigo físico, e de como nunca pensou no assunto de forma prática.
E diz que a única forma física de compra de música sempre se deu por meio de ingressos de shows e camisetas das bandas que gosta.
Bem, Emily termina o artigo dizendo que percebeu há pouco tempo que não é possível que os artistas todos se banquem somente com vendas de ingressos e camisetas, mas que sinceramente não a vê, e nem seus amigos e conhecidos, pagando por música nunca mais.
E termina dizendo que tudo o que quer é um serviço pago mensalmente que dê a ela o acesso a toda música do mundo, sem complicações, sem que ela precise se preocupar com os artistas, gravadoras… e que todos sejam remunerados.
“All I require is the ability to listen to what I want, when I want and how I want it. Is that too much to ask?“, ela finaliza.
Lendo o artigo, e a essa frase final, ficam duas sensações: primeiro, a música não tem mais valor concreto, ponto.
E segundo, estamos querendo demais, não estamos?!
A valoração real da música ser praticamente zero não é mais novidade.
As pessoas da geração Y (nascidas entre 1982 e 1993) e mais jovens não entendem o que é pagar por uma música.
Não a vêem como um produto, que tem um valor específico, que custa para ser feito, e que deve ter um preço; assim como um café, uma camiseta, um carro ou uma consulta médica.
Parte disso se deve ao fato do meio físico ter sido suplantado por arquivos digitais de fácil acesso.
É um fato que o ser humano ainda tem uma grande dificuldade ade estabelecer uma percepção de valor com algo “virtual”. Essa questão do virtual é ainda muito nova, e não conseguimos estabelecer uma percepção de que o virtual é, na verdade, concreto também: uma música é uma música, não importa o meio.
Ela tem o mesmo valor estando em um CD, um Vinil ou em MP3. Assim como um livro, uma revista ou um filme.

A outra parte de culpa em percebermos valor na música vem das próprias gravadoras e artistas, que demoraram demais para se adaptar a uma nova realidade: as pessoas utilizam-se da internet para ter acesso às canções, e não há nada que façamos que vai mudar o fato.
Se logo de cara houvesse surgido um meio legal e simples de vender música on-line, de forma segura e honesta; talvez (eu disse “talvez”) a história teria sido um pouco diferente.
Isso pode estar mudando aos poucos, com o real crescimento de lojas como iTunes e Amazon nas partes musicais, mas ainda está muito longe de ser o ideal.
A segunda sensação, de que estamos querendo demais, vem do fato de que……. sim, estamos querendo demais!
Ora, tudo o que Emily quer (e ela representa boa parte dos jovens do mundo) é “poder ouvir o que ela quiser, quando ela quiser e como ela quiser”.
A internet é uma benção, algo extraordinário; mas também uma grande “avó”, que nos mimou e deu tudo o que quisemos o tempo todo, sem pensar em nada mais.
Não temos à disposição todos os carros do mundo, quando quisermos dirigi-los.
Ou então todos os tênis do mundo, para quando quisermos usa-los.
Porquê com a música tem de ser assim??
Qual o problema em escolhermos?!
Escolhas são boas, nos ensinam e fazem amadurecer.
Quero dizer, a internet nos ensinou mal.
É um fato que quando escolhemos uma coisa, deixamos outras pra trás.
Se eu gasto meu dinheiro com uma música, estou deixando de usar esse mesmo dinheiro para comprar outras.
Isso é normal, com tudo na vida.
É o trade off , algo que estudamos em economia e que nos ensina que sempre que escolhemos algo, estamos deixando de escolher outro.
E não há mal nenhum nisso.
E, então voltamos ao começo do artigo, em que cito o comentário de meu amigo Dan: a música, por esses dois fatos, virou um mero detalhe.
Artistas não ganham mais dinheiro com ela (em sua grande maioria).
Ganham com outras coisas, que são obrigados a fazer pois o trabalho deles (que é a música, a criação, etc) não os paga mais.
A música não é mais um fim, e sim um meio.
E, dado isso, não podemos ficar reclamando que a qualidade musical caiu, que os artistas não são tão bons e criativos quanto antigamente, e que os grandes momentos da música se foram.
Ora, para alguém criar algo bom, demanda esforço e trabalho dedicado.
Demanda conseguir viver para aquilo.
Demanda pensar no assunto o quanto puder, respirar e transpirar.
Se antigamente as pessoas criavam coisas incríveis, muitas vezes, era, em parte, porquê viviam para aquilo. Respiravam, comiam, transpiravam música.
O album Exile on Main Street, dos The Rolling Stones, considerado uma das obras primas da carreira, foi feito após um internato na casa de Keith Richards, no sul da França, onde montaram um estúdio móvel, e ficaram vivendo de sexo, drogas e rock’n'roll.
Bem, pra acabar, se hoje nào pagamos mais por música, se o artista não ganha mais para criar, estamos condenados à um nivelamento por baixo da criação musical (caso não haja uma mudança de cenário).
O fato da democratização das gravações ter trazido à tona milhões de artistas que não poderiam gravar “à moda antiga”, não suplanta o fato de que a música, como qualquer outro trabalho, demanda ser feito de modo exclusivo para atingir sua excelência.
E se tudo o que queremos é “the ability to listen to what I want, when I want and how I want it”, então estamos condenando a música. Yes, that’s asking too much.



 
 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fotos Inéditas da Palestra do Onda Jovem em 2011 na Escola Estadual Professor Paulo Chaves


Alunos do 3º 1

Vivian e André
Pietro em momento de fala com os 3ºs anos
Alunos e Pietro, André e Vivian auxiliando os alunos a obterem seus títulos de eleitor...ainda em 2011!!!