quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ENTREVISTA EMPRESTADA DO BLOG DO TERREMOTO BLUES COM O MESTRE EDU GOMES

Edu Gomes é um dos músicos mais queridos da cena de blues do Brasil. Sempre que o assunto é guitarra seu nome é citado, pois além de um instrumentista extraordinária tem uma simplicidade gigantesca.

Neste artigo, Edu Gomes da uma aula para quem quer começar uma carreira na música, então leia e aproveite os conhecimentos e conselhos de um dos maiores mestres do nosso Blues.

TB: Conte qual a maior conquista de sua carreira, aquela que te deixa com orgulho de ter feito e o que você ainda não realizou e gostaria de fazer.


EG: "Primeiramente, o fato de eu ter construido uma carreira musical onde pude registrar minhas canções em CD, como também me apresentar ao vivo com bandas diversas e como sideman ao lado de artistas e músicos maravilhosos. Poder passar seu sentimento e energia para as pessoas através da música é muito gratificante, assim como olhar para trás e ver que a dedicação e amor à musa música trouxe frutos e aprendizados, tanto dos acertos como dos erros.


Gostaria de realizar mais dentro do que já fiz pois este é o maior desafio de uma carreira : dar continuidade com qualidade. Gravar o novo trabalho da Irmandade do Blues, Adriano Grineberg Quartet, ZFG Mob, Concerto de Cura, como também levá-los ao público cada vez mais, produzir novos trabalhos de bandas e artistas para cada vez mais evoluir em captação de som, arranjo, produção etc. Este é meu objetivo por um bom tempo!


Agora pra citar algo mais específico, fico muito feliz em ter depoimentos, tanto de e-mails como em video, do mestre Roberto Menescal, com o qual tive o prazer de gravar e fazer uma série de shows com a cantora Márcia Salomon. Pude experimentar a linguagem do Blues com bends e slides dentro da bossa nova, com seus acordes, cadências e melodias maravilhosas, porém bem mais complexas do que encontramos no Blues. Consegui criar uma liguagem própria dentro deste estilo o que acarretou em convites para outros trabalhos de MPB."



TB: Você tem grandes trabalhos como produtor, você acredita que seu conhecimento e experiência musical contribuem para ter ótimos resultados? Você prefere produzir ou tocar?


EG: "Confesso que adoro produzir, mas prefiro tocar. Tem mais adrenalina e emoção!
Quanto à contribuição como produtor, ela pode ser maior ou menor. Tudo depende do objetivo da banda/artista e o material que ele apresenta para atingi-lo.


Meu trabalho é viabilizar, tanto em termos de produção musical envolvendo arranjos, timbres etc, como na questão organizacional de um CD, que não é tão fácil como parece. Também trabalho muito como psicólogo, pois envolve músicos, artistas etc e consequentemente vaidades e egos. Posso afirmar que é como ser técnico de futebol. É isso! Sou técnico de artistas.rsrsrs


Quando estou tocando, gosto de chamar um produtor para ter uma opinião de fora. Muitas bandas reclamam quando o produtor põe a mão demais, mas na maioria das vezes o som apresentado possui muitas falhas de execução, arranjo e até concepção,entre outras coisas. Pode ser por falta de conhecimento, vaidade excessiva com a própria composição, ou os dois! Já gravei artistas que trouxeram tudo pronto e apenas tirei o som. Quando produzo e também gravo como guitarrista, apenas somo no arranjo, muitas vezes até sugerido pelo próprio artista, que tem convicção no que diz.


Quando interfiro no trabalho, sempre viso engrandecer o que já fazem. Passo a ser parte da banda/artista e portanto preciso trabalhar para que a música alcance seu máximo em potencial, tanto em canção como em som,timbre e interpretação, além de preservar ao máximo a imagem/produto que o artista estará apresentando ao público dele."



TB: Vamos falar especificamente do blues, que já teve momentos muito melhores aqui no Brasil e principalmente em São Paulo. O que você acha que levou a cena do blues estar assim?


EG: "Esta é uma pergunta difícil pois há muitas questões envolvidas, e até mesmo dúvidas à respeito. Tentarei ser sincero, baseado na minha experiência e nada mais, e sucinto pois o assunto é complexo!


Eu acho que em termos de festivais e espaços em Sesc etc, está melhor! Tenho tocado bastante ( bem mais que antes) nesses eventos com a Irmandade do Blues, André Christóvam, Adriano Grineberg e JJ Jackson.


Temos festivais no Sul (serra gaucha),Sudeste (Ilha Comprida, SESCs, Virada Cultural, Rio das Ostras, RJ, Ibitiboca-MG, Juiz de Fora etc) Centro-oeste ( Brasilia e Goiânia) e Nordeste (Oi Blues, Garanhuns, Guaramiranga). Mesmo com o fim do Nescafé Blues, nunca esteve tão bom!


Tem muita gente nova e promissora aparecendo por ai e em todo o Brasil.


Acho que o Blues teve uma queda muito grande em bares. E os bares são os que sustentam o Blues entre os festivais e são uma ótima escola para os novatos e também para os veteranos como sustento finaceiro e de carreira. Perdeu muito espaço para bandas de cover. Os motivos são variados: no fundo o público sempre gosta de ouvir o que conhece, paciência né? Mal sabem que isso mata o novo compositor/artista, que poderá ser famoso um dia e não tem espaço pra se mostar!

Porém, muitos músicos confundem música com showbusines.( o que eles querem!) São coisas distintas. O grande público não quer ficar ouvindo músicos tocando como se fosse uma jam, fato muito comum no Blues. Acabou cansando eu acho. As bandas/artistas de Blues que estão fazendo sucesso são aquelas que adotam a postura para isso, ou seja: fazem um show. Investem realmente em uma carreira. Têm proposta artistica mais concreta, personalidade, visual, performance, arranjo, sequencia lógica na apresentação de músicas em um show, que tem começo, meio e fim. Tudo pensado, e obviamente ( obrigatóriamente!!!) de boa qualidade. Eis ai um fator que pode tambem ter contribuido: qualidade. O Blues é realmente simples, mas não tão fácil. Sua simplicidade permite que pessoas com muito pouco experiência e vivência no mundo real da música, possam tocar o Blues. Isso é realmente um fato e não tem nada de mal, agora querer entrar no mundo da música e showbusines e ter resultados concretos de público, crítica e venda requer muita luta e conhecimento de causa, tanto do instrumento e estilo como da parte funcional. Tenho percebido isso na vida em geral e não só na música. Músicos me perguntam às vezes qual o "peixe" que a Irmandade do Blues tem pra entrar no "esquema" dos Sesc's e festivais e fico pasmo, pois minha resposta é a simples verdade: nosso "peixe" se resume em 18 anos de carreira com muita preocupação à qualidade musical e de show, em respeito à nós mesmos e ao público que nos assiste, e comprometimento profissional com nossos contratantes e colegas de trabalho, além de se melhorar como músico e pessoa. Nada mais que a obrigação!


Por último vem a questão cultural obviamente. Existem muitos fãs de Blues, mas o Brasil é muito grande e não existe, na minha opinião, um numero suficiente, tanto de fãs como artistas de real qualidade, para alimentar o Blues por ai afora dia e noite. Torná-lo uma "cultura". Essa luta será muito longa! Semrpre fui a favor da idéia de que quanto maior o numero de pessoas tocando Blues, mais espaços vão se abrir pois gerará interesse. Se um bar "abarrota" com o Blues, certamente seu concorrente irá abrir uma noite de Blues também!"



TB: Quais são seus projetos atuais? Com quem anda tocando?


EG: "Estamos divulgando o DVD da Irmandade do Blues, que teve a participação especial dos amigos Andreas Kisser e André Matos. Teremos shows em Minas Gerais, Distrito Federal, Santa Catarina, interior paulista e Nordeste até o fim do ano. Também estou fazendo o lançamento do CD "Key Blues"do Adriano Grineberg, que é meu parceiro no projeto de música para o bem estar chamado "Concerto de Cura" , cuja parceria já nos rendeu 7 CDs, e com o oitavo no forno. Estou tambem na pré produção do segundo CD do ZFG Mob, um projeto de rock instrumental ao lado do baterista Mário Fabre e do baixista Fábio Zaganin. Continuo na estrada com o cantor americano radicado no Brasil JJ Jackson, cujo último CD pude participar e também com a cantora de MPB Márcia Salomon, que inclusive me convidou para produzir seu 4º CD, o que me deixa feliz ,pois os dois primeiros foram produzidos por Roberto Menescal e o terceiro, o qual gravei, pelo Alexandre Fontanetti .No Cakewalking studio, acabei de produzir o CD de estréia do Leandro Henrique, cantor, compositor e violonista e que também integra a banda de Márcia Salomon. Uma grande promessa da nova MPB!


Meu segundo CD solo, que é instrumental, está em fase de masterização. Em breve!"



TB: Edu, já vi e escutei você tocando muitas vezes e admiro seu trabalho, por este motivo é muito bom ter você no Blog. Deixo este espaço para seus comentários finais.


EG: "Agradeço as palavras e a oportunidade de poder participar de seu blog, que tem divulgado o Blues para todos.


Peço desculpas se feri alguma opinião alheia, mas procurei ser sincero e sempre com o intuito de melhorar nosso meio de trabalho que precisa de renovação e melhorias.

FONTE: http://terremotoblues.blogspot.com/2010/09/mestres-das-seis-cordas-com-edu-gomes.html



Um dos mais frequentados bares de Natal encerra atividades nesta quinta-feira

23/09/2010 - 08:10
Atualizada em: 23/09/2010 às 08:10

Blues em ritmo de tango.
 Será este o clima no Sgt. Peppers na noite de hoje. Um dos maiores guitarristas e vocalistas de blues do cenário nacional será o responsável por jogar fora as chaves da porta do bar - um dos mais populares da cena musical da cidade.
Noite em grande estilo com o gaúcho Fernando Noronha & Black Soul para marcar a história de seis anos do Sgt. Peppers.
A mais nova banda do gênero na cidade, Eu Edu e os Caras, abre o show a partir das 22h.
A apresentação do bluesman Fernando Noronha representa também a edição de setembro do Oi Blues by Night.
Assim como as outras atrações que já subiram ao palco pelo projeto de blues itinerante, Noronha coleciona parcerias com músicos consagrados no estilo musical.
Junto com sua banda, Black Soul, o guitarrista tocou com: B.B King, Buddy Guy, Jeff Healey, Coco Montoya, Chris Duarte, Ron Levy, Phil Guy entre outros.
"Me sinto privilegiado por ter tido oportunidade de tocar com esses mestres e acho que foram muito importantes para o desenvolvimento e amadurecimento do nosso trabalho", disse Fernando Noronha.
Em cima do palco, Noronha tem levado muita música e diversão aos locais em que tem se apresentado.
Com seu "electric blues" contemporâneo, os "bends" e "vibratos" do artista são feitos com a maestria de um bluesman experiente.
Prematuramente ele alcançou o amadurecimento musical, usando a guitarra como voz de sua alma negra. O guitarrista foi elogiado até por B. B. King, que afirmou: "Eu me sinto extremamente feliz e orgulhoso quando vejo uma banda tão jovem tocando o blues tão bem".
Seguidor do estilo "SRV" de blues texano, seus discos - seis no total - costumam contar com a produção de grandes nomes do blues, como Chris Duarte, Solon Fishbone e Ron Levy, que em 2000, prevendo o que os aguardava, disse: "Com todo respeito ao passado, este grupo está forjando sua própria identidade rumo ao futuro.
Não vai demorar para que estejam tocando em todos os lugares".


Eu, Edu e os Caras
A banda é uma das revelações da música local, com repertório baseado em versões diferenciadas de clássicos do rock e do blues. Formada por músicos experientes, tem sido figura presente nos eventos dedicados ao gênero. A banda é formada por Edu Gomez (Poetas Elétricos), Moisés de Lima (Os Grogs), CBI (Mad Dogs) e Samir Santos (Jack Black).


Serviço
Fernando Noronha & Black Soul
Show de abertura: Eu Edu e os Caras
Local: Sgt. Pepper's - Ponta Negra
Quando: hoje, às 22h
Preço: R$ 25

Venda: Botton (Natal Shopping e Midway Mall)
Informações: 2010-3737/8855-3916



"Fomos pegos de surpresa"

Vários boatos foram espalhados pela cidade para justificar o fechamento do Sgt. Peppers. Segundo a sócia Mariana Arêa, não houve "golpe, mocinhos ou bandidos".
"Não há magoa e nem briga entre eu e Rafael (Abreu, o outro sócio).
Existem erros cometidos por ambas as partes.
Normal. Eu só tenho a agradecer por esses seis anos de bar.
Considero um grande sucesso. Como pode um botequim daquele ter se tornado conhecido e tão bem frequentado? Por isso o espanto pelo fechamento".
Mariana explica que o processo de falência do bar iniciou com o pedido de devolução do ponto alugado pelos proprietários do Sgt. Peppers em Petrópolis.
"Fomos pegos de surpresa. Tivemos que demitir muitos funcionários.
 E os custos ficaram altos com apenas uma unidade (a de Ponta Negra).
A consequência foram salários atrasados e insatisfação geral".
Os problemas acumulados provocaram o fim. "Perdi o prazer e o tesão de estar no Sgt", disse.
Os funcionários também estavam desestimulados e queriam receber o mais breve.
"Dessa forma, poderemos vender nossos equipamentos, quitar os salários atrasados, indenizações trabalhistas e eu ter minha paz de volta".
E conclui a empresária: "Tristes ficarão os clientes.
Mas novos lugares surgirão.
Minhas desculpas e o meu muito obrigado".



Por Sérgio Vilar, do Diário de Natal