quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ROCK CONTA A CHATICE - ROCK & ROLL

Produzida por Nigel Godrich (Radiohead), a trilha sonora de "Scott Pilgrim contra o Mun- do" promete sobrevi- ver ao filme, com uma excelente coleção de rocks e obscuridades

Vai longe o tempo das trilhas sonoras memoráveis.
Quando bem compiladas, elas sobrevivem aos produtos originais (filmes, novelas e, mais raramente, games).
Em geral, reuniam boas músicas que fogem a obviedade; e uns pops descarados, no limite da mediocridade, mas que retratam bem uma época.
Os discos feitos para os filmes de Quentin Tarantino costumam ser uma aula neste sentido.
Pender para um dos lados da balança é arriscado, como comprovam as chatas e instantaneamente datadas trilhas de novelas da última década.

"Scott Pilgrim vs. The World", trilha sonora de "Scott Pilgrim contra o Mundo" (em cartaz no Brasil, mas, infelizmente, ainda ausente das salas cearenses) mostra que compor um disco desta natureza é uma arte delicada e para poucos. O autor da façanha é Nigel Godrich, produtor inglês que se notabilizou a partir de "Ok Computer" (1997), sua terceira colaboração com a banda cult Radiohead.
Godrich é chamado de "sexto membro" do grupo e, de lá para cá, produziu todos seus álbuns.

Após o sucesso do melhor álbum do quinteto inglês, o produtor foi convidado a colaborar com o Olimpo do indie rock (Beck, Pavement. R.E.M. Air, Charlotte Gainsbourg) e do mainstream (Paul McCartney e U2). Godrich tornou-se uma grife, um selo de qualidade felizmente confiável.
A trilha de "Scott Pilgrim" consegue ser boa do início ao fim.
A toque de mestre foi evitar que ela soasse demasiado juvenil, como a HQ que originou o filme sugere.
Ao invés de enfadonhas bandas teen, gente que boa parte do público adolescente sequer sonha existir.

Dinossauros e indies

O único medalhão do CD são os Rolling Stones, que comparecem com a antiquíssima "Under my thumb", de 1966, hoje pouco lembrada.
A canção é uma das melhores do repertório da banda, mas soa deslocada em meio a timidez barulhenta dos mais jovens.
Melhor se sai a ressurreição de "Teenage Dream", da banda glam T. Rex (usada à exaustão em outra trilha célebre, do filme "Billy Elliot").

Quem se sobressai, entre todos os demais, é o norte-americano Beck.
Autor do hino dos fracassados da década passada, "Looser", ele tem autoridade para cantar as dores de amor de um nerd.
Beck colabora com duas canções solo, a balada "Ramona" e uma versão acústica desta. Trata-se de uma canção bonita, enfeitada com um discreto arranjo de cordas e um clima anos 70, na linha de seu último álbum, "Modern Guilty".
Concorre ao melhor momento do disco com outra balada melancólica, "By your side", da obscura Beachwood Sparks.

Beck ainda compõe e toca nos rocks de garagem da fictícia banda Sex Bob-Omb (comandada por Pilgrim/Cera no filme). Destaca-se, ainda, as participações da Broken Social Scene (travestida da também ficcional Crash and The Boys) e o ex-Pixies Frank Black.
 




 
Rock - Scott Pilgrim vs. The World Vários - Universal Music - 2010

19 faixas - R$ 24,90


Fique por dentro

Sete inimigos

Scott Pilgrim tem 22 anos, é roqueiro e geek.
Um dia ele conhece Ramona Flowers, uma jovem de cabelos coloridos, pela qual se apaixona.
Eles se tornam namorados e vai tudo muito bem até que entram em cena os ex-namorados da moça: sete no total.
Como um herói das histórias em quadrinhos, Scott precisa derrotá-los para conquistar de vez o coração de Ramona.
Dirigido por Edgar Wright, o longa traz no elenco Chris Evans, Brandon Routh e Kieran Culkin (irmão do Macaulay), além de Michael Cera (de "Juno") no papel-título.



DELLANO RIOS

EDITOR


Nestlé mata Água Mineral São Lourenço - DENÚNCIA DA PRESERVAÇÃO!


Há alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões.
As águas minerais, de propriedades medicinais, e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas através dos médicos.
Mas o poder dessas águas permanece.
Médicos da região, por exemplo, curam a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa.
Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde,desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente.
A desmineralização de água é proibida pela Constituição.
Cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação.
Em outras palavras, a PureLife é uma água química.
A Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a riscos desconhecidos.
O ritmo de bombeamentoda Nestlé está acima do permitido.
Troca de dutos na presença de fiscais é rotina.
O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos.
A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação.
Dois poços já secaram.
Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades.
Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual.
E finalmente obteve essa licença no início de 2004.
Um dos brasileiros atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço, Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao governo e imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça, para interpelar a empresa criminosa. A Igreja Reformista, a Igreja Católica, Grupos Socialistas e a ong verde ATTAC uniram esforços contra a Nestlé, que já havia tentado a mesma prática na Suíça.
Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço.
No dia seguinte, o governo de Minas (PSDB), baixou portaria que regulamentava a atividade da Nestlé.
Ao invés de multas, uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal.
Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada de histórico duvidoso.
Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando o caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão.
Em uma dessas matérias, o vereador Cássio Mendes, do PT de São Lourenço, envolvido na batalha contra a criminosa Nestlé, reclama que sofreu pressões do Governo Federal (PT), para calar a boca.
Teria sido avisado de que o pessoal da Nestlé apóia o Programa Fome Zero e não está gostando do barulho em São Lourenço.
Diga-se também que a relação espúria da Nestlé com o Fome Zero é outro caso sinistro.
A empresa, como estratégia de marketing, incentiva os consumidores a comprar seus produtos, alegando que reverte lucros para o Fome Zero.
E qual é a real participação da Nestlé no programa?
A contratação de agentes e, parece, também fornecendo o treinamento.
Sim, a famosa Nestlé, que tem sido há décadas alvo internacional de denúncias de propaganda mentirosa, enganando mães pobres e educadores para a substituição de leite materno por produtos Nestlé, em um dos maiores crimes contra a humanidade.
A vendedora de leites e papinhas "substitutos" estaria envolvida com o treinamento dos agentes brasileiros do Fome Zero, recolhendo informações e gerando lucros e publicidade nas duas pontas do programa: compradores desejosos de colaborar e famintos carentes de comida e informação.
Mais preocupante: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização "parcial" das águas. O que é isso?
Como será regulamentado?
Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar a tal desmineralização "parcial"?
Além do que, "parcial" ou "integral", a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo.
E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé?
O que nós cidadãos ganhamos com isso?
É simples, Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água.
É para essas empresas que o governo governa?

Colabore. Transmita estas informações para outras pessoas e não consuma o que prejudica a saúde.

Mais informações sobre o caso Nestlé em  http://www.cidadaniapelasaguas.net/