terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Salomão - Cântico dos Cânticos - Bíblia - Antigo Testamento

 Cântico dos Cânticos de Salomão.

PRIMEIRO CANTO

Anseios de amor

Ela .


2 Sua boca me cubra de beijos! São mais suaves que o vinho tuas carícias,
3 e mais aromáticos que teus perfumes
é teu nome, mais que perfume derramado;
por isso as jovens de ti se enamoram.
4 Leva-me contigo! Corramos!
O rei introduziu-me em seus aposentos.

Coro.
Queremos contigo exultar de gozo e alegria,
celebrando tuas carícias, superiores ao vinho.
Com razão as jovens de ti se enamoram.
Canção da amada

Ela.
5 Sou morena, porém graciosa,
ó filhas de Jerusalém,
como as tendas de Cedar,
como os pavilhões de Salomão.
6 Não me olheis com desdém, por eu ser morena!
Foi o sol que me bronzeou:
os filhos de minha mãe, aborrecidos comigo,
puseram-me a guardar as vinhas;
a  minha própria vinha não pude guardar.

Ambição do amor

Ela.
7 Indica-me, amor de minha alma: onde pastoreias?
Onde fazes repousar teu rebanho ao meio-dia?
Para eu não parecer uma mulher perdida,
seguindo os rebanhos de teus companheiros.

Coro.
8 Se não o sabes, ó mais bela das mulheres,
segue os rastos das ovelhas
e leva teus cabritos a pastar
perto do acampamento dos pastores!

Ele.


9 Às parelhas das carruagens do Faraó
eu te comparo, minha amada.
10 Graciosas são tuas faces entre os brincos,
e teu pescoço entre colares.
11 Faremos para ti brincos de ouro
com filigranas de prata.

Exaltação do amor


Ela.
12 Enquanto o rei está em seu divã,
meu nardo exala seu perfume.
13 O meu amado é para mim
como bolsa de mirra sobre meus seios;
14 o meu amado é para mim
como um cacho florido de alfena dos vinhedos de Engadi.






Ele.
15 Como és formosa, minha amada!
Como és formosa, com teus olhos de pomba!

Ela.
16 E tu, meu amado, como és belo,
como és encantador!
O verde gramado nos sirva de leito!
17 Cedros serão as vigas de nossa casa,
e ciprestes, as paredes.

Galanteios
Ela.
1 Eu sou o narciso de Saron,
o lírio dos vales.

Ele .
2 Sim, como o lírio entre espinhos
é, entre as jovens, a minha amada.

Ela.
3 Como a macieira entre árvores silvestres
é, entre os jovens, o meu amado.
À sua sombra eu quisera sentar-me,
pois seu fruto é saboroso ao meu paladar.
Amor apaixonado

Ela.

4 Ele me conduziu à casa do banquete,
onde a bandeira era para mim sinal de amor.
5 Restaurai-me as forças com tortas de uva,
revigorai-me com maçãs,
porque desfaleço de amor!
6 Sua esquerda apóia minha cabeça,
e sua direita me abraça.

Ele.
7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas ou corças do campo,
que não acordeis nem desperteis a amada,
antes que ela queira!






SEGUNDO CANTO

Primavera de amor

Ela.
8 Atenção! É o meu amado:
eis que ele vem saltando pelos montes,
transpondo as colinas.
9 O meu amado parece uma gazela,
uma cria de gamo,
parado atrás de nossa parede,
espiando pelas janelas,
espreitando através das grades.
10 Adiantando-se, o meu amado me fala:

Ele.

Levanta-te, minha amiga,
minha formosa, e vem!
11 Eis que o inverno já passou,
cessaram as chuvas e se foram.
12 No campo aparecem as flores,
chegou o tempo da poda,
a rolinha já faz ouvir
seu arrulho em nossa região.
13 Da figueira brotam os primeiros figos,
exalam perfume as videiras em flor.
Levanta-te, minha amiga,
minha formosa, e vem!
14 Pomba minha, nas fendas da rocha,
no esconderijo escarpado,
mostra-me teu semblante, deixa-me ouvir tua voz!
Porque tua voz é doce, gracioso o teu semblante.

Coro.

15 Agarrai para nós as raposas, estas pequenas raposas,
que devastam as vinhas, nossas vinhas em flor!

Apelo da amada

Ela.
16 O meu amado é todo meu, e eu sou dele.
Ele é um pastor entre lírios.
17 Antes que expire o dia e cresçam as sombras,
volta, meu amado,
- imitando a gazela ou sua cria –,
para os montes escarpados!

Divagações
Ela.

1 Em meu leito, durante a noite,
busquei o amor de minha alma:
procurei, mas não o encontrei.
2 Hei de levantar-me e percorrer a cidade,
as ruas e praças,
procurando o amor de minha alma:
Procurei, mas não o encontrei.
3 Encontraram-me os guardas que faziam a ronda pela cidade.
Vistes o amor de minha alma?
4 Apenas passara por eles,
encontrei o amor de minha alma:
agarrei-me a ele e não o soltarei
até trazê-lo à casa de minha mãe,
à alcova daquela que me concebeu.

Ele.
5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
pelas gazelas ou corças do campo,
que não acordeis nem desperteis a amada,
antes que ela queira!

TERCEIRO CANTO


Cortejo nupcial

Coro.

6 O que vem a ser aquilo que sobe do deserto,
como coluna de fumo,
exalando mirra e incenso
e todos os perfumes dos mercadores?
7 É a liteira de Salomão,
escoltada por sessenta guerreiros
 e os mais valentes de Israel.
8 Todos são espadeiros treinados para o combate;
cada qual leva ao flanco a espada,
por temor de surpresas noturnas.
9 O rei Salomão mandou construir um palanquim
de madeira do Líbano:
10 fez colunas de prata,
espaldar de ouro e assento de púrpura;
o interior foi carinhosamente adornado
pelas filhas de Jerusalém.
11 Vinde, filhas de Sião, contemplar
o rei Salomão com a coroa,
com a qual sua mãe o coroou
no dia de suas bodas,
dia de júbilo para seu coração!
Descrição da amada

Ele.


1 Como és formosa, minha amada!
como és formosa,
com teus olhos de pomba,
a transparência do véu!
Teus cabelos são como um rebanho de cabras,
esparramando-se pelas encostas do monte Galaad.
2 Teus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas,
recém-saídas do lavadouro:
cada um com seu par, sem perda alguma.
3 Teus lábios são fitas de púrpura,
de fala maviosa.
Tuas faces são metades de romã,
na transparência do véu.
4 Teu pescoço é como a torre de Davi,
construída com parapeitos,
da qual pendem mil escudos
e armaduras de todos os heróis.
5 Teus seios são como duas crias,
gêmeos de gazela, pastando entre lírios.

Ela.
6 Antes que expire o dia e cresçam as sombras,
irei ao monte da mirra e à colina do incenso.
Ele.
7 És toda formosa, minha amada,
e em ti não se encontra defeito algum.

Apelo do amado


Ele.
8 Vem comigo do Líbano, minha noiva!
vem comigo do Líbano!
Desce do cume do Amaná,
dos cimos do Sanir e do Hermon,
das cavernas dos leões,
das montanhas das panteras!
Encantamento

Ele.


9 Arrebataste-me o coração, minha irmã e minha noiva,
arrebataste-me o coração com um só de teus olhares,
com uma só jóia de teu colar.
10 Como são ternos teus carinhos,
minha irmã e minha noiva!
Tuas carícias são mais deliciosas que o vinho;
teus perfumes, mais aromáticos
que todos os bálsamos.
11 Teus lábios, minha noiva, destilam néctar;
em tua língua há mel e leite.
Tuas vestes têm a fragrância do Líbano.
Recanto de amor

Ele.
12 És um jardim fechado, minha irmã e minha noiva,
uma nascente fechada, uma fonte selada.
13 Tuas plantas são um vergel de romãzeiras,
vegetação toda selecionada:
um belas de alfena e flores de nardo,
14 nardo e açafrão, canela e cinamomo,
toda espécie de árvores de incenso,
mirra e aloés,
os melhores bálsamos.
15 A fonte do jardim
é como um manancial de água corrente
que brota do Líbano.
16 Desperta, Aquilão!
E tu, Austro, vem soprar em meu jardim,
para que se espalhem seus aromas!
Apelo da amada

Ela.


Que entre o meu amado em seu jardim
para comer dos frutos deliciosos!

Ele.
1 Já vou ao meu jardim, minha irmã
e minha noiva,
colher mirra e bálsamo,
comer do favo de mel, beber vinho e leite.

Coro.


Amigos, comei!
bebei e embriagai-vos do amor!

QUARTO CANTO


Noturno

Ela.

2 Eu estava dormindo, mas meu coração velava.
Atenção! O meu amado está batendo.

Ele.
Abre, minha irmã e minha noiva,
minha pomba, meu primor!
Pois tenho a cabeça borrifada de orvalho,
e do sereno da noite, minha cabeleira.

Ela.


3 Já despi minha túnica:
hei de vesti-la novamente?
Já lavei os pés:
hei de sujá-los outra vez?
4 O meu amado meteu a mão na fechadura,
fazendo-me estremecer em meu íntimo.
Em busca do amado

Ela.

5 Levantei-me para abrir ao meu amado,
minhas mãos gotejando mirra;
de meus dedos a mirra escorria
sobre o trinco da fechadura.
6 E então abri ao meu amado,
mas o meu amado já se tinha ido, já se tinha retirado.
Ansiei loucamente por falar-lhe:
procurei, mas não o encontrei;
chamei, mas não me respondeu.
7 Encontraram-me os guardas que faziam a ronda da cidade:
espancaram-me e me feriram;
arrancaram-me o manto as sentinelas das muralhas.
8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém:
se encontrardes o meu amado,
anunciai-lhe que desfaleço de amor!


Descrição do amado

Coro.


9 O que distingue dos outros o teu amado,
ó mais bela entre as mulheres?
O que distingue dos outros o teu amado,
para que assim nos conjures?

Ela.


10 O meu amado é branco e corado,
inconfundível entre milhares:
11 Sua cabeça é ouro puro,
a cabeleira é como leques de palmeira,
é negra como o corvo.
12 Seus olhos são pombos,
junto aos cursos de água,
banhando-se em leite,
detendo-se no remanso.
13 Suas faces são canteiros de bálsamos,
tufos de ervas aromáticas.
Seus lábios são como lírios,
a destilar um fluido de mirra.
14 Suas mãos são braceletes de ouro,
guarnecidas com pedras de Társis.
Seu corpo é marfim lavrado,
recoberto de safiras.
15 Suas pernas são colunas de alabastro,
assentadas em bases de ouro.
Seu aspecto, como o Líbano, airoso como os cedros.
16 Sua boca é só doçura; todo ele, pura delícia.
Tal é o meu amado, assim é o meu amigo,
ó filhas de Jerusalém.
Encontro com o amado

Coro.


1 Aonde foi o teu amado,
ó mais bela das mulheres?
Para onde se dirigiu o teu amado?
Iremos contigo à sua procura.

Ela.


2 O meu amado desceu ao seu jardim,
aos canteiros de bálsamos,
para apascentar nos vergéis e colher lírios.
3 Eu sou do meu amado, e o meu amado é todo meu.
Ele é um pastor entre lírios.


QUINTO CANTO


Prendas da amada


Ele.
4 És formosa, minha amiga, como Tersa,
encantadora como Jerusalém,
esplêndida como as constelações.
5 Aparta de mim teus olhos, porque eles me perturbam!
Teus cabelos são como um rebanho de cabras,
esparramando-se pelas encostas de Galaad.
6 Teus dentes são como um rebanho de ovelhas,
recém-saídas do lavadouro;
cada um com seu par, sem perda alguma.
7 Tuas faces são metades de romã,
na transparência do véu.

A predileta


Ele.

8 Sessenta são as rainhas,
oitenta as concubinas,
além de numerosas donzelas.
9 Uma só, porém, é a minha pomba, o meu primor:
única é ela para sua mãe,
é o encanto de quem a gerou.
Ao vê-la, felicitam-na as donzelas,
louvam-na as rainhas e as concubinas.
Coro.
10 Quem é esta que surge como a aurora,
bela como a luz, brilhante como o sol,
esplêndida como as constelações?

Ele.


11 Desci ao horto das nogueiras
para examinar os brotos da várzea
e ver se as vides já brotavam,
se floresciam as romãzeiras.
12 Sem me aperceber, minha fantasia me transportou
até às carruagens da nobre comitiva.

A dança


Coro.


1 Retorna, Sulamita, retorna!
Retorna, para podermos contemplar-te, retorna!
Ele.
O que vedes na Sulamita,
quando dança entre dois coros?
2 Como são belos teus passos nas sandálias,
ó filha de príncipes!
Os contornos de teus quadris são como colares:
obra das mãos de artista.
3 Teu umbigo é uma taça redonda:
não lhe falte vinho mesclado!
Teu ventre é um monte de trigo, cercado de lírios.
4 Teus seios são como duas crias,
como gêmeos de gazela.
5 Teu pescoço é como uma torre de marfim.
Teus olhos são como as piscinas de Hesebon,
junto à Porta Maior.
Teu nariz é como a torre do Líbano,
sentinela sobre Damasco.
6 Tua cabeça sobressai como o Carmelo;
e as madeixas de tua cabeça são como fios de púrpura,
que nos tanques um rei mantém amarrados.

Protestos de amor


Ele.
7 Como és formosa e encantadora,
ó delicioso amor!
8 Teu talhe assemelha-se a uma palmeira,
e teus seios a cachos.
9 Eu disse: "Vou trepar pela palmeira
e agarrar-me às suas frondes".
Teus seios devem ser como racemos na cepa,
teu hálito como a fragrância das maçãs,
10 tua boca, como vinho generoso.

Ela.
Ele flui suavemente para meu amado
deslizando pelos lábios dos adormecidos!
11 Eu sou do meu amado,
e ele arde em desejos por mim.

Canção do encontro

Ela.


12 Vem, meu amado, saiamos ao campo!
Passaremos a noite nas aldeias,
13 madrugaremos para ir aos vinhedos,
ver se as vides lançaram rebentos
ou se já se abrem suas flores,
se florescem as romãzeiras.
Ali te darei o meu amor.
14 As mandrágoras exalam seu perfume,
e à nossa porta há mil frutas deliciosas,
tanto frescas como secas,
que para ti, meu amado, reservei.

Anelos de amor


Ela.


1 Quem me dera que fosses meu irmão,
amamentado aos seios de minha mãe!
Encontrando-te pela rua, beijar-te-ia,
sem que alguém me desprezasse.
2 Eu me farei teu guia para introduzir-te
na casa de minha mãe, que me criou;
dar-te-ei a beber vinho aromático e suco de minhas romãs.
3 Sua esquerda apóia minha cabeça,
e sua direita me abraça.

Ele.

4 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
que não acordeis nem desperteis a amada,
antes que ela queira.

SEXTO CANTO

Triunfo de amor


Coro.

5 Quem é esta que surge do deserto,
apoiada no seu amado?

Ele.

Debaixo da macieira eu te despertei,
onde tua mãe, em dores, por ti se consumia,
onde se consumia em dores quem te deu à luz.

Ela.

6 Põe-me como um selo sobre teu coração,
como um selo sobre teu braço!
Porque é forte o amor como a morte,
e a paixão é violenta como o abismo:
suas centelhas são centelhas de fogo,
labaredas divinas.
7 Águas torrenciais não conseguirão apagar o amor,
nem rios poderão afogá-lo.
Se alguém quisesse comprar o amor,
com todos os tesouros de sua casa,
se faria desprezível.
A amada e seus irmãos

Irmãos.
8 Temos uma irmãzinha,
ainda sem seios.
O que faremos por nossa irmã,
quando alguém pedir sua mão?
9 Se ela é uma muralha,
vamos construir-lhe ameias de prata;
se é uma porta,
vamos reforça-la com pranchas de cedro.

Ela.

10 Agora já sou uma muralha,
e meus seios são como torres.
E assim tornei-me a seus olhos
a mulher a encontrar a paz.
A vinha de Salomão


Ela.

11 Salomão tinha uma vinha em Baal-Hamon.
Entregou a vinha a cultivadores;
por seus frutos se pagaria
mil siclos de prata.
12 Sobre minha vinha, porém, disponho eu:
para ti, Salomão, os mil siclos,
e duzentos para os cultivadores de seus frutos.

Intimidade do amor


Ele.

13 Tu que habitas nos jardins,
com companheiros a escutar a tua voz,
deixa-me ouvi-la!

Ela.


14 Vai depressa, meu amado,
– imitando a gazela ou sua cria –,
para os montes perfumados!

Mandrágora - O veneno dos amantes

Planta venenosa da família das solanáceas, a mesma da beladona e do meimendro, a mandrágora (Mandragora officinarum) contém alcalóides como a atropina e a escopolamina.
É nativa do Mediterrâneo.
Erva de caule muito curto, emite uma roseta de folhas, de cujo centro se alteiam as hastes das flores, de cor entre o violeta e o azul.
A raiz principal freqüentemente se bifurca e, sendo grossa e carnuda, assemelha-se a duas coxas. Para aumentar essa semelhança, os feiticeiros a esculpiam e acrescentavam detalhes, como se vê em gravuras medievais que ilustram seu suposto poder afrodisíaco.
Ora, uma vez aceito que uma planta pudesse tem um corpo humano "perfeito", o próximo passo era supor que pudesse receber um espírito, ou a força vital de um homo sapiens vivente... Segundo H.P. Blavastky, "no Catecismo dos drusos da Síria" os homens foram criados pelos "Filhos de Deus", que desceram à Terra e, depois de colherem sete mandrágoras, animaram as raízes até que se convertessem em homens (Doutrina Secreta, II, 30, ed. Inglesa).
Dados dispersos no Glossário Teosófico informam que a planta se revela "especialmente eficaz na magia negra" (Doutrina Secreta, 11, 30) e, apesar do preparo de "bebidas ou filtros" ser o uso mais cotado entre os "vários fins ilícitos", alguns ocultistas "da mão esquerda" chegariam a fazer homúnculos com ela.

 
O nome hebraico para as mandrágoras (dudhaim) é formado pela mesma raiz de "amor".
Este é outro motivo para que, em algumas partes do Oriente Médio, esta planta ainda seja considerada como afrodisíaco capaz de excitar o amor e aumentar a fertilidade humana.
O Glossário Teosófico fornece uma interpretação metafísica politicamente correta onde, "em linguagem cabalística", dudhaim corresponde à união do "manas superior e inferior" ou da Alma e do Espírito, duas coisas "unidas em amor e amizade (dodim)".
Mas a intenção que personagens bíblicas tiveram ao consumir a planta foi bem diferente.
Em Gênese 30:14-15, Raquel, esposa de Jacó, negocia a oportunidade de usufruir os direitos conjugais de seu marido por uma noite com sua irmã Lia, em troca de alguns frutos de mandrágoras.
Desta relação conturbada nasceu Issacar. Também, numa cena de romântico erotismo do Cântico dos Cânticos, a amada afirma a reciprocidade de seu amor levando seu amante para pernoitar no campo onde "as mandrágoras exalam seu perfume" (Cântico 7:14).
A tradição colocou este fruto em relação com o nascimento de José.
 
Vem, meu amado, vamos ao campo,

pernoitemos sob os cedros; madruguemos pelas vinhas,

vejamos se a vinha floresce, se os botões estão se abrindo,

se as romeiras vão florindo: lá te darei meu amor...

As mandrágoras exalam seu perfume;

À nossa porta há de todos os frutos:

Frutos novos, frutos secos,

que eu tinha guardado,meu amado, para ti.

Cântico dos Cânticos, 7:12-14.
 

Mandrágora acorrentada a um dos cães utilizados para extrair as raízes do solo, Século XII Os antigos, como os medievais, conheciam o poder da raiz desta planta.
A tradição greco-romana daria outros usos à planta.
Nos tempos de Cristo, a comprida raiz castanha da mandrágora era usada como anestésico nas operações.
Platão cita o preparo da mandrágora como fármaco entorpecente ao descrever um motim.
"Algumas vezes", quando marinheiros disputam pela influência, tendo em vista o favor do dono do navio, "se não são eles que o convencem, mas sim outros, matam-nos, a esses, ou atiram-nos pela borda fora; reduzem a impotência o verdadeiro dono com a mandrágora, a embriaguez ou qualquer outro meio" (A República, 488c).
Com o tempo, as receitas foram se tornando cada vez mais insólitas.
Dizia-se, por exemplo, que a colheita da mandrágora exigia providências profiláticas, pois a planta não devia ser tocada.
A raiz era arrancada em noite de luar, com uma corda atada a um cachorro preto, após um ritual e orações.
Segundo a crença, se colhida sem essas precauções, a mandrágora soltava um grito terrível, capaz de matar ou enlouquecer quem o ouvisse.
Se obtida à maneira ritual, contudo, a raiz possuía poderes mágicos e servia para tomar fecundas as mulheres estéreis.
A Mandrágora já foi considerada como uma cura para a loucura e uma droga exorcisante por se pensar que os demônios não toleravam o seu cheiro.
Outrora, as verrugas eram esfregadas com uma batata, que a seguir tinha de ser deitada fora.
Então, à medida que o tubérculo apodrecia, acontecia o mesmo com a verruga!
O Glossário Teosófico diz-nos que os antigos germanos veneravam ídolos fabricados com a raiz de mandrágora.
"Daí seu nome de alrunes, derivado da palavra alemã Alraune (mandrágora).
Aqueles que possuíam em sua casa uma dessas figurinhas, acreditavam-se felizes, pois elas velavam pela casa e por seus moradores, preservando-os de todo mal, e prediziam o futuro, emitindo certos sons ou vozes.
O possuidor de uma mandrágora, além disso, obtinha bens e riquezas, através de sua influência".
Na literatura clássica, Shakespeare fala de seus arrepiantes chiados enquanto Maquiavel aponta para os engodos de charlatões que propagam suas virtudes maravilhosas na peça A Mandrágora.
Observação mais que providencial, visto que quando a humilde batata chegou a Inglaterra era tida como afrodisíaca e vendida a mais de 500 libras o quilo.
Atualmente, ela ainda é usada em doses seguras na fabricação de remédios homeopáticos.

Complexo Hidrelétrico de Belo Monte. URGENTE !!!

O Presidente do IBAMA se demitiu na quarta-feira passada devido à pressão para autorizar a licença ambiental de um projeto que especialistas consideram um completo desastre ecológico: o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.

A mega usina de Belo Monte iria cavar um buraco maior que o Canal do Panamá no coração da Amazônia, alagando uma área imensa de floresta e expulsando milhares de indígenas da região. As empresas que irão lucrar com a barragem estão tentando atropelar as leis ambientais para começar as obras em poucas semanas.
 
A mudança de Presidência do IBAMA poderá abrir caminho para a concessão da licença – ou, se nós nos manifestarmos urgentemente, poderá marcar uma virada nesta história.
Vamos aproveitar a oportunidade para dar uma escolha para a Presidente Dilma no seu pouco tempo de Presidência: chegou a hora de colocar as pessoas e o planeta em primeiro lugar.
Assine a petição de emergência para Dilma parar Belo Monte – ela será entregue em Brasília, vamos conseguir 300.000 assinaturas:
 
https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl

Abelardo Bayma Azevedo, que renunciou à Presidência do IBAMA, não é a primeira renúncia causada pela pressão para construir Belo Monte.
Seu antecessor, Roberto Messias, também renunciou pelo mesmo motivo ano passado, e a própria Marina Silva também renunciou ao Ministério do Meio Ambiente por desafiar Belo Monte.
 
A Eletronorte, empresa que mais irá lucrar com Belo Monte, está demandando que o IBAMA libere a licença ambiental para começar as obras mesmo com o projeto apresentando graves irregularidades.
Porém, em uma democracia, os interesses financeiros não podem passar por cima das proteções ambientais legais – ao menos não sem comprarem uma briga.
 
A hidrelétrica iria inundar 64.000 hectares da floresta, impactar centenas de quilômetros do Rio Xingu e expulsar mais de 40.000 pessoas, incluindo comunidades indígenas de várias etnias que dependem do Xingu para sua sobrevivência.
O projeto de R$30 bilhões é tão economicamente arriscado que o governo precisou usar fundos de pensão e financiamento público para pagar a maior parte do investimento.
Apesar de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, ela seria a menos produtiva, gerando apenas 10% da sua capacidade no período da seca, de julho a outubro.

Os defensores da barragem justificam o projeto dizendo que ele irá suprir as demandas de energia do Brasil.
Porém, uma fonte de energia muito maior, mais ecológica e barata está disponível: a eficiência energética.
Um estudo do WWF demonstra que somente a eficiência poderia economizar o equivalente a 14 Belo Montes até 2020.
Todos se beneficiariam de um planejamento genuinamente verde, ao invés de poucas empresas e empreiteiras.
Porém, são as empreiteiras que contratam lobistas e tem força política – a não ser claro, que um número suficiente de nós da sociedade, nos dispormos a erguer nossas vozes e nos mobilizar.
 
A construção de Belo Monte pode começar ainda em fevereiro.
O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que a próxima licença será aprovada em breve, portanto temos pouco tempo para parar Belo Monte antes que as escavadeiras comecem a trabalhar.
Vamos desafiar a Dilma no seu primeiro mês na presidência, com um chamado ensurdecedor para ela fazer a coisa certa: parar Belo Monte, assine agora:
 
https://secure.avaaz.org/po/pare_belo_monte/?vl
 
Acreditamos em um Brasil do futuro, que trará progresso nas negociações climáticas e que irá unir países do norte e do sul, se tornando um mediador de bom senso e esperança na política global. Agora, esta esperança será depositada na Presidente Dilma.
Vamos desafiá-la a rejeitar Belo Monte e buscar um caminho melhor.
Nós a convidamos a honrar esta oportunidade, criando um futuro para todos nos, desde as tribos do Xingu às crianças dos centros urbanos, o qual todos nós podemos ter orgulho.