segunda-feira, 6 de julho de 2009

INCA: O IMPÉRIO DO SOL

O IMPÉRIO DO SOL
Machu Picchu foi redescoberta em julho de 1911 pelo historiador americano Hiram Bingham, é considerada patrimônio Cultural da Humanidade. Está localizada a 2 400 metros de altitude sobre o nível do mar e rodeada por uma exuberante vegetação. A área dominada pelo Império Inca foi uma das mais extensas dentre todos os impérios conhecidos. Habitavam a região hoje ocupada pelo Equador, Peru, norte do Chile, Oeste da Bolívia e noroeste da Argentina.
Mais de dez milhões de índios haviam se fundido nesta unidade política e cultural que era de elevado nível. Fisicamente os Incas eram de pequena estatura, pele morena, variando do moreno claro ao escuro, cabelos pretos e lisos quase imberbes.


A organização dos incas era de forma piramidal, sendo o Inca, o chefe supremo, com poderes divinos. Seus deuses eram os elementos naturais. Seu deus principal era o Sol, seguido da Lua, das Estrelas, do Relâmpago e a Chuva. Isto porque tinham uma organização econômica baseada na agricultura e dependiam destes elementos fundamentais para a fartura. Tinham profundo conhecimento de meteorologia e das estações do ano para saber a época apropriada para plantio e a colheita das várias espécies vegetais. Também eram muito hábeis na manipulação da cerâmica, tecidos e do ouro.
A primeira organização piramidal da cultura dos incas deu-se por volta de 1250 d.C., com a conquista dos povos que habitavam a região. No entanto, o inicio da expansão imperialista incaica ocorreu com o grande Imperador Pachacutec em 1440, o nono soberano inca. Em 1460 surge o Tawantinsuyu, ou reino das 4 regiões, com a anexação do reino Chimú pelo Inca Túpac Yupanqui.
A Pachacutec se atribui a reconstrução total de Cusco em uma grande urbe, para o qual o soberano necessitou aumentar a população local e por conseguinte a produção de alimentos. Para tanto foi obrigado a construir um eficiente sistema de canais de irrigação, aquedutos e armazenamento de alimentos.
Sociedade.
A sociedade inca caracterizava-se por três grandes grupos sociais.
No ápice da pirâmide temos o grande Inca o qual realizava o culto ao Sol. Os sacerdotes eram responsáveis por sacrifícios, adivinhações e também pela educação de jovens nobres. Em seguida vinham os nobres que geralmente eram membros da família do Inca, ou descendentes dos chefes de clãs que passaram a integrar o império. Foram chamados de orejones pelos espanhóis porque usavam olhereiras. Os yanaconas eram uma espécie de escravos selecionados entre prisioneiros de guerra ou populares que eram encarregados de proteger seus senhores, administrarem terras do Templo do Sol e os armazéns de abastecimento. Somente altos funcionários e chefes militares podiam ter a seu serviço os yanaconas os quais, é importante lembrar, podiam possuir bens, o que não nos permite confundi-los com escravos. Apenas um dos filhos do yana era escolhido para continuar a atividade do pai. Alguns viviam em meio ao fausto de Cuzco enquanto outros serviam curacas pobres em regiões distantes. Algumas mulheres também eram escolhidas para serem educadas nos monastérios do Sol por mulheres mais velhas e descendentes da etnia dos incas. Algumas tornavam-se esposas secundárias do imperador, outras eram dadas em casamento a quem o imperador desejasse e outras permaneciam virgens para poder participar do culto solar. Ao lado da atividade ritual estas mulheres também se dedicavam a fiar e a tecer. O número delas por vezes era tão grande (perto de 2000 mil), que permitia uma produção que escapava a política de reciprocidades tradicionais. O mesmo ocorria com a produção dos yana favorecendo a desagregação das antigas formas de solidariedade social. Portanto as relações sociais estavam em transformação indicando uma tendência de transformação do Estado.
O povo tinha um papel extremamente importante na sociedade na medida em que era responsável pela sobrevivência alimentar através do cultivo da terra e, também, pelas guerras que faziam parte das formas de controle da produção em uma área bastante extensa.
As terras eram divididas em três partes. Os produtos obtidos do cultivo da primeira parte eram oferecidos ao culto do Sol, os da segunda parte para o Inca e os da terceira parte para a comunidade.



Arte, Ciência e Arquitetura

A cultura inca — resultado da mistura das culturas preexistentes na região andina — era muito rica, principalmente no que se refere à arte, intimamente ligada à ciência, à religião e ao cotidiano. A ourivesaria inca possuía caráter funcional e ornamental; o desenho das peças, aspecto de desenhos geométricos. O figurativismo das estatuetas de metal era bem estilizado, tendo a cabeça mais trabalhada que o restante do corpo. A prata era um dos metais mais apreciados para as peças suntuosas, embora se tivesse conhecimento de metais como o ouro. Nessa arte, destacam-se também as facas de sacrifício.
As construções arquitetônicas, apesar da austeridade em relação às dos maias e astecas, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve principalmente ao fato de os espanhóis terem extraído os trabalhos de escultura em ouro que revestiam as paredes dos aposentos internos.
As construções arquitetônicas incas, apesar da austeridade em relação às dos maias e astecas, não possuem hoje ornamentos esculpidos, o que se deve principalmente ao fato de os espanhóis terem extraído os trabalhos de escultura em ouro que revestiam as paredes dos aposentos internos.
Mas o que marcou a arquitetura inca, foi o trabalho com a rocha; obras civis de pouca importância, fortalezas, torres, templos, palácios e edifícios do governo tinham em suas estruturas pedras arduamente trabalhadas e esculpidas pelos trabalhadores incas. Tais pedras eram constituídas do mais puro granito branco e seus vértices esculpidos em diversos ângulos (de até 40 graus) de tal maneira que os blocos se encaixassem perfeitamente uns nos outros sem a utilização de argamassa ou cimento e que o espaço entre um bloco e outro fosse impenetrável mesmo pela mais fina lâmina.
As pedras, para que pudessem resistir aos freqüentes tremores de terra, tinham forma trapezoidal e eram tão pesadas que chegavam a atingir três toneladas.Não se sabe o tipo de instrumento utilizado na construção das cidades incas, já que não há vestígios de ferramentas ou rodas. Nativos da região dizem que tais ferramentas seriam feitas de hematita, oriunda de meteoritos. Segundo os cientistas, essa hipótese é um tanto improvável.
É incontestável a engenhosidade de certas construções incas, como por exemplo os canais que transportavam água a poderosas cisternas, para que fosse enfim armazenada sem desperdícios, ou mesmo os diversos níveis de terraços, nos terrenos íngremes da região, que permitiram um melhor aproveitamento da terra para a agricultura.
A posição privilegiada de Macchu-Picchu permitiu a execução de profundos estudos científicos e muitos cultos religiosos, principalmente no que se refere ao sol. Por isso, a cidade era considerada um verdadeiro santuário. De seu conjunto arquitetônico, formado por mais de 200 edifícios, destacam-se o Observatório Solar e dois grandes templos: o Principal e o das Três Janelas. No Observatório, encontra-se a Intihuantana (“lugar de pouso do sol”), uma pedra sagrada que tinha como objetivo o culto ao deus Sol (“Inti”), e que servia como instrumento científico para as observações astronômicas e cálculos meteorológicos sobre a forma redonda do céu que ajudavam a prever a época propícia para a colheita.
Os conhecimentos de Geometria e Geografia adquiridos pelos cientistas incas foram provavelmente utilizados nas construções de cidades famosas como Macchu-Picchu, Cuzco e Ollantaytambo. Para o posicionamento de determinadas construções, como os prédios da cidadela de Macchu-Picchu, os incas deveriam saber a exata localização dos pontos cardeais e saber o local exato do nascer e do pôr do Sol no horizonte nos dias de equinócios.
Como eles poderiam sabê-lo, já que a cidade é cercada pela Cordilheira dos Andes e não se pode ver o sol tocar o horizonte, não se sabe ao certo. Talvez o tenham feito através de observações sistemáticas do movimento do sol no céu.
Pouco se conhece de Cuzco, anterior à conquista dos espanhóis. Dizem que foi fundada em torno dos séculos XI e XII d. C. pelo Inca Manco Cápac, segundo uma lenda é proveniente do lago Titicaca. Cidade sagrada e capital do Império Inca do Tawantinsuyu foi o centro do governo das quatro extensas regiões do fabuloso Império Incaico que chegou a abarcar grande parte do que é atualmente o Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Chile.
Em 1534, Francisco Pizarro fundou sobre a cidade de Cuzco uma cidade espanhola, que se construiu sobre o cimento inca. Cuzco é um exemplo típico de fusão cultural, herdando monumentos arquitetônicos e obras de arte de valor incalculável.

A Morte da Civilização Inca

De acordo com a tradição, todo Inca deveria casar-se com uma mulher de sangue real nascida em Cuzco. Huayna Capac o fez e desse casamento, sem alegria, nasceu Huáscar (“o odiado”), herdeiro legítimo do trono. No entanto, Huayna estava apaixonado pela Princesa de Quito; e desse amor, presenciado com horror pelo Império, nasceu seu querido filho Atahualpa (“filho da fortuna na terra”). Huáscar era odiado pelo pai e amado pelo povo, enquanto Atahualpa tinha o amor do pai e o ódio do povo, isso os fez crescer em constante rivalidade.
Arturo Capdevila no livro Los Incas, retrata a situação do Império: “Sombrio ocaso foi a vida de Huayna Capac. Seus filhos rivais torturavam-lhe a consciência com quem sabe quais duras previsões. Sinais nefastos manchavam o céu pátrio. De espanto em espanto, em misteriosa onda de lenda, corria no entardecer de seu reinado a fama dos espanhóis recém-chegados, homens brancos desembarcados um dia com temível desígnio pelo confim setentrional do país. O céu e a terra assinalavam presságios. Meteoros cárdeos rasgavam o firmamento na noite. Uma auréola de fogo dividida em três círculos rodeava o disco da lua. Os llaycas agouravam o Inca: “o primeiro círculo anuncia guerra; o segundo, a queda do sol; o terceiro, o fim de tua raça”. Antes de morrer, Huayna resolvera quebrar a tradição Inca e repartir o reino entre seus dois filhos: Atahualpa, que seria o monarca do Norte, e Huáscar, que o seria do Sul. Decidira também, em fidelidade à esposa amada, ser enterrado na cidade de Quito, junto às múmias de seus antepassados. A divisão do reino preparava obscuramente o império para o triunfo dos homens brancos. Em 1531, os exércitos de Atahualpa e Huáscar se confrontaram numa sangrenta batalha fratricida em Ambato e Quipaypán, da qual Atahualpa se saiu vencedor. Mas isso iria durar pouco tempo, como bem o sabiam os amautas e haravecs, povos de ciência e saber ocultos; para eles, Atahualpa não era na verdade um Inca, um legítimo filho do Sol; era um intruso. Em 1532, Pizarro, conquistador espanhol, foi recebido por Atahualpa em Cajamarca, onde aprisionou o imperador, iniciando a destruição do império. “Mas certo era que a lua havia se mostrado envolta na tríplice sinistra auréola. O invasor já começava a apoderar-se do solo americano e se cumpria, a seu tempo, a palavra profética de Nezahualcoyotl: virão tempos em que serão desfeitos e destroçados os vassalos, e tudo cairá nas trevas do esquecimento…”
(Arturo Capdevila, Los Incas).

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