sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Roma

A Roma da Época republicana ou do início do período imperial sem dúvida poderia ter reagido. No caso do império, contudo, a população já perdera seu empenho. Os descendentes de um povo que havia conquistado o mundo agora se reuniam no Foro a fim de clamar apenas por panis et circens – “ pão e circo”.
Os imperadores atenderam de bom grado a tais clamores. Enquanto na época republicana o governo promovia competições de gladiadores durante três ou quatro semanas por ano, no segundo século da era cristã tais espetáculos sanguinolentos eram vistos durante meses seguidos. Nas maiores competiçõpes organizadas pelo imperador Trajano, que se prolongaram poe123 dias, cerca de 5 mil homens e 11 mil animais foram mortos a sangue frio. E as multidões não se cansavam, sempre clamando por mais. Em meio a essa atmosfera de excessos abomináveis, as ruas de Roma encheram-se daquelas imensas e ameaçadoras figuras de mármore que os museus italianos denominam de estatua colossale. A enorme estatua de Nero que havia no foro tinha a impressionante altura de um prédio de 13 andares.
Ao longo dos séculos, o trono imperial foi ocupado por alguns dos indivíduos mais vis da história – um processo que começou logo após a morte do primeiro imperador. Dos dez imperadores seguintes a Augusto, nada menos que oito morreram de forma violenta.
Alguns eram tão desequilibrados que continuam a ser lembrados até hoje. Um desses foi Calígula , que assassinou seu irmão, mas amava tanto os animais que nomeou seu cavalo, Incitato, para o posto de cônsul.
Depois houve Heliogábalo, que passou a se vestir de mulher logo após subir ao trono. Ele gostou disso a tal ponto que alterasse seu título para “ imperatriz de Roma”.
Outro imperador, Cômodo, filho do grande Marco Aurélio, sonhava ser gladiador, mas, precavido cuidava para que seus adversários recebessem espadas de chumbo macio, que entortavam toda vez que o imperador recebia golpe. No entanto sua sorte acabou em um dia de ano novo, quando foi estrangulado por um lutador vinculado a conspiradores. o sucessor de Cômodo, Pertinax, permaneceria no trono por apenas 86 dias antes de ser assassinado. Nessa altura, o exército fez leilão do cargo de imperador: a oferta mais alta foi de certo Dídio Juliano, que por sua vez, acabaria degolado após dois meses de reinado.
Nenhuma lista de imperadores ruins estaria completa sem o nome do infame Nero, absolutamente maléfico. Para ser mos justos cabe observar que recentes pesquisas históricas revisionistas isentam Nero de algumas das acusações pelas quais ficou mais famoso. Nero fez por merecer sua deplorável reputação. A fim de garantir um público para seus recitais de lira, conta-se que costumava trancar as pessoas no teatro impedindo as de sair.
Moderado na juventude, Nero tornou-se depois um assassino de seus parentes, entre os quais o irmão, sua mulher cinco tentativas de assassinato. E fez com que incontáveis mártires cristãos tivessem fim nas arenas dos anfiteatros.
Em um império no qual a vida humana era tão pouco valiosa, talvez não seja surpreendente a rápida expansão de um novo culto religioso em torno de um jovem executado como criminoso em uma remota província. Quando Jesus de Nazaré e um procurador romano subalterno chamado Pôncio Pilatos, encontraram-se frente a frente na basílica de Jerusalém – por volta do ano 30 – toda a força estava do lado de Pilatos. Mas Jesus disseminava uma idéia igualmente poderosa. Sua mensagem, a de uma vida preciosa ao encontro de uma necessidade humana que não podia ser atendida pelos césares. Extremamente favorecidos pela facilidade de deslocamento e pela generalizada tolerância diante de novas religiões no interior doimpério, os cristãos primitivos gradativamente converteram todo o mundo romana.
( tem mais...)

Nenhum comentário:

Postar um comentário