terça-feira, 16 de novembro de 2010

TROPA DE ELITE - POR JANJÃO

A ATUALIDADE DE TROPA DE ELITE 2



Assisti Tropa de Elite 2.
Não fiquei com a sensação de estarrecimento, ou de choque, como vários amigos meus me confidenciaram, ao se deparar com esta obra prima do cinema nacional deste século XXI.
O filme nos coloca frente a frente, com o crime organizado, em todas as suas dimensões.
 
Desnuda os alicerces da corrupção Brasileira, que não anda se não tiver conexão com o crime. Como na primeira fita, o Diretor José Padilha, joga em nossas mentes o debate da Ética, não apenas como retórica, mas como comportamento e formação de caráter.
Oferecer ao resto do País, a História das milícias cariocas, formadas por policiais militares e civis, com todo o apoio de políticos e empresários, nos remete a sair do conto de fadas, que às vezes homens do poder nos obrigam a entrar.
 
Como um produto que apresenta novidades, técnicas e de atrair o espectador para assistir dezenas de vezes, ainda fico com Cidade de Deus.
Porém é extraordinário, para suscitar reflexões por um longo tempo.
Tropa não é um simples filme para gringo se escandalizar com a violência no terceiro mundo, é um filme mobilizador. Como documentarista que é, José Padilha, não colocou o real na ficção, a realidade estava lá, nua e crua.
 
Não foi apenas inspiração o caso da CPI das milícias levadas a cabo pelo Deputado Estadual, agora reeleito Marcelo Freixo, tudo investigado e relatado por ele esta no filme, se resumindo a uma ou outra ficção que Padilha incluiu para apimentar um pouco mais a trama.
Tudo é verdade, a ponto de nos transportar para um dia a dia, que a Classe média e as elites, tentam esconder e se esconder.
Não é o noinha da biqueira nosso inimigo mortal, nem é o ladrãozinho de varal o lúcifer do cotidiano.
 
Trata-se na película de nos fazer acordar, para uma rede de corrupção, que em troca de votos, para se enriquecer com a máquina pública, os agentes públicos, fazem vistas grossas para assassinatos, estionatos e pura exploração dos pobres, pelo crime.
Uma favela do Rio de Janeiro, continua sem luz elétrica, sem saneamento básico, sem escola, sem saúde.
Mas têm TV a cabo, internet, serviço de delivery e outras coisitas que apenas as classes abastadas têm acesso.
 
Na campanha eleitoral deste ano, todos os candidatos á Presidente omitiram, esta rede de corrupção ligada a organizações criminosas.
Limitaram-se a chavões e a promessas vazias e paliativas.
O papo de combater o vicio do Crack com construções de clinicas de recuperação, não só é pobre de conteúdo, como não resolve o problema.
O Estado não pode omitir-se de suas responsabilidades.
A primeira medida para inibir as máfias, é a inclusão social, é gerar empregos, renda.
 
Admito que melhoramos nestes anos todos, mas ainda carecemos de botar na cadeia os vários, Caciollas, Daniel Dantas, Máfia da Merenda e tantos outros.
 È preciso dar maior transparência à coisa pública, abrir para a participação popular.
Combater a violência do crime, é ir à raiz e não lotar presídios e fundação casa de pés de chinelo, que não tiveram acesso às oportunidades, é punir o engravatado, o detentor de mandatos e poder. A visão torta, distorcida e maldosa dos Direitos Humanos, deve ser combatida, não se pode aceitar que Jornalistas mal intencionados, mal informados ou até beneficiários dos esquemas criminosos, use e abuse da mídia para desinformar e deformar.
O filme do Padilha, é produto obrigatório para ser visto pelos defensores e lutadores dos Direitos Humanos.



JANJÃO- POETA, ESCRITOR. LIMEIRA/SP

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