segunda-feira, 11 de maio de 2009

Civilização Egípcia II



Três impérios


A história política pode ser dividida em 3 grandes fases.

A primeira é o Antigo Império caracterizado pela edificação das grandes pirâmides, pelo crescimento da produtividade agrícola, pelo desenvolvimento das grandes construções (pirâmides e palácios) e ciência (matemática, medicina).

Apesar da prosperidade, não houve ampliação do território, excetuando uma expedição ao sul que conquistou parte da Núbia.São desconhecidas as razões que levaram ao fim do poder central por quase 100 anos, mas sabemos que ocorreram períodos de fome, provavelmente vinculados à diminuição das cheias do Nilo, do qual o país era extremamente dependente. Devem também ter ocorrido revoltas de camponeses contra o pagamento de tributos ao Estado.Em 2.052 a.C. foi restabelecido o poder central: é o período do Médio Império.

Ampliou-se a autoridade do Estado, aumentou a produção agrícola e foram construídas diversas obras de irrigação. Mas em 1.640 a.C., o Egito acabou caindo sob domínio dos hicsos - povo de origem asiática - , que permaneceram 90 anos dominando a região. Eram um povo guerreiro, hábil no uso de cavalos e do carro de guerra puxado por eles, e trouxeram diversas inovações no uso do bronze, que eram desconhecidas dos egípcios.O período mais importante e mais conhecido do Egito Antigo é o Novo Império (1570-715 a.C.).

Foi o momento da expansão para a Ásia e a conquista da Palestina, Síria e Fenícia, chegando até o rio Eufrates, na Mesopotâmia.Controlando o corredor sírio-palestino, criou-se um obstáculo às invasões dos povos asiáticos, que usava desta passagem para invadir o Egito pelo istmo de Suez. Isso facilitou o controle das rotas comerciais que passavam pela região e ampliou-se a cobrança de tributos. A criação de um império na Ásia levou a formação de um exército permanente, em grande parte formado por mercenários líbios e núbios, e a utilização de novas armas, como a espada e os carros de guerra.

Esplendor e declínio do Império Egípcio


Durante o Novo Império intensificou-se o comércio externo com as ilhas de Creta e Chipre, no mar Mediterrâneo, e com a Fenícia, ampliou-se a máquina burocrática do Estado e foram edificadas novas pirâmides e palácios, em grande parte com os recursos espoliados dos povos dominados. Somente Thutmés 3º (1469-1436), em uma de suas 17 expedições militares, trouxe como butins de guerra centenas de prisioneiros, 924 carros, 2.238 cavalos, 44 mil cabeças de gado e 200 quilos de ouro.Os faraós tiveram enormes dificuldades em manter as conquistas na Ásia e o domínio da Núbia. Ocorreram rebeliões dentro do império, pressões nas fronteiras de povos atraídos pela riqueza do Egito e problemas internos devido ao crescimento da população e o aumento do número de habitantes por quilômetro quadrado, o que gerou períodos de fome.No século 7 a.C., Assurbanípal, rei dos assírios, ocupou por pouco tempo o Egito mas logo foi expulso. Porém, a invasão foi uma demonstração da fraqueza interna do império, apesar das reformas realizadas no Renascimento Saita (séculos 7 a 6 a.C.).Ainda na Antigüidade, no século 6 a.C., o Egito perdeu a independência. Em 525 a.C., Camises, imperador da Pérsia, invadiu e ocupou o Egito por 200 anos. Os persas introduziram o camelo, que se adaptou bem à região e possibilitou o contato mais freqüente com os oásis a oeste do rio Nilo.Em 332 a.C., Alexandre Magno, da Macedônia, que já tinha conquistado a Grécia, a Ásia Menor, a Palestina e a Fenícia, também ocupou o Egito. Vinte e oito anos depois, seus herdeiros deram origem à dinastia dos Ptolomeus ou período Ptolomaico, que se estendeu até 30 a.C., quando os romanos invadiram e ocuparam o Egito.


O papel da religião


A vida dos egípcios estava marcada pela religião e seus deuses. Osíris ensinou a agricultura aos seres humanos mas acabou traído e morto pelo irmão e rival Seth. Isis, sua mulher, convenceu os outros deuses a trazer de volta Osíris para a Terra: era ele que julgava após a morte os egípcios. Ouvia a defesa de cada um e, depois de pesar o coração do indivíduo - para saber se estava mentindo ou não - decidia pela inocência ou culpabilidade.A crença em uma vida após a morte acompanhava o egípcio durante toda a sua existência. Desta forma, a construção de grandes túmulos, onde estavam acumulado tesouros e objetos de uso pessoal do morto, servia para que depois da vida ele mantivesse a mesma condição material.Segundo o egiptólogo A. Abu Bakr, a "crença no além foi sem dúvida favorecida e influenciada pelas condições geográficas do Egito, onde a aridez do solo e o clima quente asseguravam uma notável conservação dos corpos após a morte, o que deve ter estimulado fortemente a convicção de que a vida continuava no além-túmulo".

O politeísmo da religião egípcia foi brevemente interrompido pela instituição do monoteísmo pelo faraó Amenófis IV (1380-1362 a.C.) com o culto ao deus Aton. Além de razões religiosas, o faraó também pretendia diminuir os poderes do clero, enriquecido pelo pagamento de tributos, e que exercia enorme influência política. Amenófis fundou uma nova capital, perseguiu os sacerdotes inimigos da reforma mas não conseguiu obter apoio popular. Após a sua morte foi restabelecido o politeísmo e a capital retornou para Tebas

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