quarta-feira, 8 de junho de 2011

Comunismo parte 4 - para o EM da EE Prof. Paulo Chaves

( continuação) a evolução que estamos esquematizando em tão curtas linhas é paradoxal: o surgimento das desigualdades sociais, propiciando a opressão de grandes massas por um punhado de ricos e poderosos, também criou condições para o crescimento da riqueza social e das personalidades humanas. Este paradoxo, contudo, era necessário, dados os baixos patamares em que se encontrava o desenvolvimento da sociedade; e essa característica contraditória dos processos sociais ( o progresso se realizando a custos humanos muito grandes) será permanente em todas as sociedades divididas por antagonismos de grupos.
Na verdade, só muito mais tarde é que esse caráter antagônico pode ser eliminado. Até finais do século 18 e meados do século 19, quando a revolução industrial criou as condições para a produção massiva de bens e potenciou a riqueza social, aquele paradoxo era insanável.
Como podemos verificar, com a revolução industrial, e o coroamento da revoluçãobu8rguesa que lhe é estreitamente vinculado, todo o quadro do desenvolvimento social e se alterou.
Antes, porém, as desigualdades sociais foram a condição necessária para todo o progresso material e espiritual - a grandeza da civilização grega e da filosofia, por exemplo, são impensáveis se a existência da escravatura.
Nesse processo, o aspecto que nos interessa realçar é o da relação entre desigualdades sociais e diferenças individuais.
Sabemos que os homens são diferentes: é praticamente impossível encontrar um que seja idêntico a outro.
Os homens, na sua evolução histórica, tornaram-se indivíduos irrepetíveis, que se distinguem entre si por características intelectuais (talentos, criatividade), morais (generosidades, combatividade) e inclusive pela combinação de traços físicos.
E sabemos, também, que os pressupostos para o desenvolvimento dos homens são os mesmos para todos eles; ou seja, sabemos que os homens são iguais – pretos e brancos europeus e asiáticos, nórdicos e tropicais.
Estes são os dados da ciência moderna: os homens têm em comum um denominador que os torna fundamentalmente iguais entre si (constituem um gênero humano); mas combinam as qualidades que esse gênero desenvolveu na história ( a essência humana) de modo diferencial e peculiar e , por isso, são indivíduos diferentes ( tem personalidade própria e singular).
A igualdade básica de todos os homens não que dizer que sejam idênticos: significa que, submetidos às mesmas circunstâncias, tem igual possibilidade de desenvolver a personalidade.
Ora, o fato histórico de esse desenvolvimento ter sido originalmente propiciado pelas desigualdades sociais criou a base para a mistificadora tese de que elas são causadas pela diferenciação entre os indivíduos. A partir daí, pode ter curso não só a idéia de que uma relação necessária e eterna entre desigualdade social e diferenciação individual como, ainda, de que os “superiores” na hierarquia social estriam nessa situação porque seriam também ‘superiores” em termos de capacidade, talento, etc. nas ideologias racistas, essa idéia é levada aos seu limite mais extremo: como brancos ( os colonialistas europeus) dominaram por séculos a Ásia e a África” deduz-se” que isto se deve à sua “ capacidade inata” – logo, amarelos e negros seriam menos capazes, inferiores ( na mesma ótica se inserem os delírios nazistas acerca da superioridade da raça ariana). Essas idéias não resistem à menos análise racional – e se, se mantém, é porque servem a interesses muito particularidades de opressão e exploração. Os atributos humanos do homem nada tem a ver com suas características físicas e biológicas; são atributos sociais ( que, obviamente, supõem a existência de um ser natural, orgânico, vivo).
Se quando se dissolve a comunidade primitiva, a luta contra as desigualdades sociais estava condenada ao fracasso por que elas eram necessárias e funcionais para a diferenciação dos indivíduos e o progresso do gênero, para o próprio florescimento das diferenças individuais, hoje a situação é totalmente diversa. Pelo menos desde meados do século 19, a luta contra as desigualdades sociais é a luta para que todos os homens possam desenvolver, plena e diferencialmente, as suas personalidades.

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