quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Princesa Isabel

Segundo a historiadora Hebe Maria de Mattos, “a abolição da escravatura no Brasil foi um acontecimento ímpar, quando pela primeira vez foi reconhecida a igualdade civil de todos os brasileiros”.
A Revista Illustrada publicada no Rio de Janeiro em 28 de Julho de 1888 mostra em desenho de D’Agostini uma família de negros depositando flores em retrato da princesa colocado em sua casa. As homenagens se repetiriam pela imprensa mundial, em reconhecimento pelo feito.
Documentos da época relatam os “grandes festejos de 13 de Maio, quando se armaram grandes coretos e, ao som de bandas os negros cantavam modinhas populares dedicadas à princesa”.

A Lei Áurea coroou esforços que se faziam há anos. A insuspeita camélia, que hoje ainda floresce no Museu Imperial ,em Petrópolis, era o símbolo dos abolicionistas que, liderados pela princesa, promoviam eventos com o fim de arrecadar fundos dedicados à compra de alforrias.
O atual bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, era um imenso quilombo que se dedicava à produção de camélias,segundo nos conta Eduardo Silva em seu livro “As Camélias do Leblon”. André Rebouças, (primeiro negro brasileiro a se formar em Engenharia.

André Rebouças, (primeiro negro brasileiro a se formar em Engenharia
e chegar a professor catedrático) em seu diário, comenta, deslumbrado: “12 de Fevereiro: primeira batalha de flores em Petrópolis: primeira manifestação abolicionista de Isabel!”
Na maior de todas as batalhas de flores, em 1 de Abril, a princesa entregou 103 títulos de liberdade.
(Segundo outros autores eles teriam planos de implantar uma espécie de “reforma agrária” distribuindo terras aos negros para que dela tirassem seu sustento, o que não aconteceu devido ao advento da república).
Robert Daibert Jr., autor de “Isabel, A Redentora dos Escravos”, comenta que “republicanos como Rui Barbosa não conseguiam compreender a devoção dos ex-escravos pela princesa, e em 13 de Maio de 1891 um grupo deles foi preso em Minas Gerais porque comemoravam o terceiro aniversário da abolição ostentando a bandeira do império”.
José do Patrocínio, membro da elite negra, rompeu com seus aliados republicanos e passou a apoiar abertamente a Princesa Isabel, “a santa e meiga mãe dos cativos”. A ação da regente se confundia com uma atitude divina: exaltando sua figura, lealdades distintas cobertas pelo manto de uma mãe protetora, Nossa Senhora do Rosário. Ao final da luta, Isabel foi coroada rainha da paz, mas não chegou efetivamente a reinar. Destronada pela república, foi para o exílio onde morreu, mas jamais foi esquecida. É coroada até hoje nas festas populares, nas congadas e homenagens a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e 13 de Maio.

A imagem ao lado é cópia de um painel existente no Museu Imperial de Petrópolis e mostra a família real brasileira em sua última fotografia antes da partida para o exílio, em 1889. A foto de Otto Hees mostra, da esquerda para a direita: Imperatriz Teresa Cristina e Príncipe Dom Antonio (sentados), Princesa Isabel, Imperador Dom Pedro II, Príncipe Dom Pedro Augusto, príncipe Dom Luiz, conde d'Eu Gaston d'Orleans e príncipe Dom Pedro de Alcântara. Após a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889, a família imperial deixou o país com destino à França. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo foi o primeiro e único imperador brasileiro nascido no Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro de 1825 e faleceu em Paris, em 5 de dezembro de 1891. Seus muito descendentes vivem hoje entre Europa e Brasil.

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